Ex-subgerente bancária acusada de burla ausente do julgamento

Ex-subgerente bancária acusada de burla ausente do julgamento

 

Lusa/AO online   Regional   1 de Mar de 2016, 16:54

A ex-subgerente de um banco em Rabo de Peixe esteve esta terça-feira ausente no julgamento, mas várias testemunhas asseguraram que a mulher se aproveitou da relação de confiança e desconhecimento dos clientes para, alegadamente, desviar dinheiro das suas contas.

 

O Tribunal Judicial de Ponta Delgada começou hoje a julgar a ex-subgerente bancária, que está acusada de ter desviado, durante anos, mais de 100 mil euros das contas de clientes.

Uma das lesadas, de 86 anos, disse hoje em tribunal que desapareceram 6.000 euros de uma conta a prazo que tinha na instituição bancária.

"Tinha 36.000 euros, mas ela tirou-me 6.000 euros. Não sei como. Eu dava o cheque para levantar dinheiro da minha reforma e os juros. Apenas assinava. Era ela que colocava o valor no cheque", sustentou a mulher, acrescentando que quando recebeu em casa o extrato de conta dirigiu-se ao banco, mas a arguida respondia que "os papéis não interessavam" e "rasgava-os".

Garantindo que ainda não foi ressarcida do dinheiro, a idosa salientou que "confiava" na arguida, porque achava que ela era "boa pessoa", e disse ainda que só agora é que "aprendeu a preencher cheques".

Outra testemunha contou, perante o coletivo que está a julgar este caso, que lhe "desapareceram" da conta 17.000 euros, assegurando que não deu autorização para quaisquer movimentos ou levantamentos.

Também o ex-gerente do balcão do Banif de Rabo de Peixe, no concelho de Ribeira Grande, confirmou que "todas as pessoas depositavam muita confiança" na arguida, mesmo "os colegas" e que a mulher era "simpática e conhecida" na vila.

"Eram pessoas muito simples que acreditavam nela", sustentou, indicando que a instituição foi alertada para a existência de "levantamentos suspeitos" após queixa do familiar de uma cliente a partir da "comunicação" da dependência do Banif em Fall River, nos Estados Unidos da América.

Já o diretor adjunto da área comercial do antigo Banif assegurou, em tribunal, que "a maioria" dos clientes foi indemnizada, à exceção de "dois ou três casos" que "eram mais complexos".

"Tudo aquilo que o banco apurou que era a favor do cliente, o banco indemnizou a maioria", afiançou.

Ouvido hoje em tribunal, o funcionário bancário da dependência de Rabo de Peixe, que à data dos factos estava na caixa, disse nunca ter desconfiado de nada, mas confirmou que a arguida chegou a preencher e a assinar talões de levantamento e que foi ela que conferiu as assinaturas.

A ex-gerente do balcão de Rabo de Peixe, em São Miguel, responde em tribunal pelos crimes de burla qualificada, burla informática e falsificação de documento, todos na forma continuada.

A acusação do Ministério Público descreve vários episódios e operações de levantamento "executadas pela arguida" que terá conseguido "colocar à sua disposição" quantias que pertenciam aos clientes.

Além de dois pedidos de indemnização feito por clientes, há ainda um outro pedido de 122 mil euros feito pelo antigo Banif.

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