Ex-presidente da Atlânticoline diz que novos navios cumprem requisitos exigidos

Ex-presidente da Atlânticoline diz que novos navios cumprem requisitos exigidos

 

Lusa/AO Online   Regional   17 de Nov de 2015, 13:53

O ex-presidente da transportadora marítima dos Açores "Atlânticoline", Carlos Reis, admitiu hoje alterações nos cabeços dos navios "Gilberto Mariano" e "Mestre Simão", mas salvaguardou que ambos preenchem todos os requisitos exigidos pelas autoridades competentes.

Carlos Reis foi hoje, de novo, inquirido, a pedido da deputada do Bloco de Esquerda/Açores, Zuraida Soares, na comissão parlamentar de inquérito aos transportes marítimos nos Açores, criada para analisar investimentos públicos e na sequência dos acidentes com cabeços nos portos da Horta, Madalena e São Roque do Pico.

Neste último caso, morreu um passageiro que seguia a bordo de um dos navios da Atlânticoline, empresa de capitais públicos que assegura as ligações nas ilhas do denominado Triângulo (São Jorge, Pico e Faial).

O antigo responsável pela empresa declarou que os cabeços dos navios que operam nas ilhas do Triângulo estão 25% abaixo do que estava previsto no caderno de encargos, mas explicou que esta redução teve lugar porque a sua volumetria original dificultava a manobra dos marinheiros para a passagem de cabos para terra.

“Os navios não seriam certificados se não cumprisse todos os requisitos”, declarou Carlos Reis, que lembrou que toda a fase de construção foi acompanhada pela Direção Geral dos Recursos Naturais, de Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) e pela entidade certificadora internacional “Bureau Veritas”.

Questionado pelos parlamentares sobre se as alterações ao projeto inicial implicaram redução de custos, se existem documentos a comprovar e se houve consentimento para realizar esta alteração, Carlos Reis referiu não ter memória de tais dados, remetendo os deputados para a Atlânticoline.

O ex-presidente do conselho de administração da transportadora marítima açoriana considerou que todo o processo de construção dos navios foi cumprido no prazo, salvaguardando que, em termos orçamentais, a derrapagem foi de 0,12% dos 19 milhões do total do projeto.

Carlos Reis foi ainda questionado sobre a intenção de o Governo dos Açores, acionista da empresa, construir dois novos navios para operarem em todo o arquipélago, tendo subscrito a opção em função dos estudos realizados, e dos oito anos de experiência de operações com ferries no arquipélago.

Trata-se de dois novos navios gêmeos de 115 metros, capazes de atingir velocidades de 25 nós.

“Esta continua a ser a melhor opção. Os açorianos já não vivem sem esta opção. Quanto maior for o navio mais conforto vai proporcionar às pessoas”, declarou.

Sobre o impacto económico e financeiro para a região dos dois navios “ferries”, afirmou ter dificuldades em assumir um montante, uma vez que quando deixou as suas funções na Atlânticoline não estava na posse desses elementos.

Ouvido na comissão parlamentar de inquérito aos transportes marítimos, na Madalena, ilha do Pico, a 23 de outubro, o titular da pasta dos Transportes dos Açores disse hoje que a entrada na região de dois ferries vai gerar um impacto económico de 123 milhões de euros.

Confrontado especificamente sobre o rebentamento dos cabeços que originaram os acidentes com os navios que operam no Triângulo, Carlos Reis considerou que “rebentou o mais fraco das três forças em presença” (cabos, cabeços de terra e do navio).

“O que tem que ser forte é o cabeço dos cais. Os cabeços têm que ser o elemento fundamental. Não percebo que se queria por o ónus da culpa nos navios”, declarou Carlos Reis, que frisou terem sido os cabeços em terra a ceder.

 

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