Casa Pia

Ex-monitor Casa Pia começa a ser julgado por 32 crimes abuso sexual de duas crianças


 

Lusa/Ao online   Nacional   11 de Dez de 2007, 05:27

O ex-monitor da Casa Pia Arlindo Monteiro Teotónio começa hoje a ser julgado no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, por 32 crimes de abuso sexual de menores contra duas crianças surdas-mudas da instituição.
O antigo monitor do Lar de São Marçal, do Colégio Jacob Rodrigues Pereira, responde por crimes alegadamente iniciados em 1998 contra um rapaz e uma rapariga da instituição, ambos surdos-mudos, num julgamento que irá decorrer à porta fechada e para o qual o juiz presidente do colectivo, Sérgio Corvacho, marcou apenas três sessões para ouvir as 23 testemunhas arroladas pelo Ministério Público (MP).

    Arlindo Teotónio, de 29 anos, responde por 32 crimes de abuso sexual de criança, um deles na forma tentada (contra a rapariga surda-muda). O julgamento do processo da 4ª Vara do Tribunal da Boa-Hora está marcado para as 13:30.

    De acordo com a acusação do processo, o antigo educador começou a abusar sexualmente do rapaz em 1998, quando este tinha dez anos, e manteve esse comportamento até 2001, período durante o qual terá abusado mais de 30 vezes da criança.

    Os autos adiantam que Arlindo Teotónio terá tentado abusar da rapariga em 1998, no Lar de São Marçal, tinha esta também dez anos. O arguido dirigiu-se ao quarto da menor e tentou forçá-la a manter relações sexuais, mas a rapariga conseguiu libertar-se e fugir do quarto.

    Fonte ligada ao processo disse à agência Lusa que há pelo menos sete outras raparigas da Casa Pia que se queixaram de abusos sexuais por parte de Arlindo Teotónio, mas as denúncias foram feitas fora do prazo legal e, por isso, o ex-monitor não foi indiciado por estes crimes.

    Os abusos terão sido relatados à directora do Colégio Jacob Rodrigues Pereira, Maria Augusta Amaral, que, apesar de ter afastado Arlindo Teotónio da instituição em 2001, não comunicou os factos às autoridades nem solicitou que os menores alegadamente abusados fossem sujeitos a exames médicos periciais que confirmassem esses abusos.

    Arlindo Teotónio acabou por ser afastado da instituição sem nunca ter sido alvo de um processo disciplinar.

    O Ministério Público ponderou incriminar, por omissão, Maria Augusta Amaral e o seu assessor, Amândio Coutinho, mas os factos recolhidos não o justificaram.

    O jovem que acusa Arlindo Teotónio também referiu o nome de Carlos Silvino da Silva ("Bibi") no processo principal da Casa Pia, que se encontra em julgamento no Tribunal do Monsanto, em Lisboa.

    A Casa Pia de Lisboa constituiu-se recentemente como assistente no processo, acompanhando a acusação do MP.

    Este é o sexto processo autónomo em tribunal na sequência de certidões extraídas do mega processo Casa Pia, que está em julgamento desde 25 de Novembro de 2004, com sete arguidos.

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