Ex-diretor do FBI confirma que Trump pediu que abandonasse investigação sobre ex-conselheiro

Ex-diretor do FBI confirma que Trump pediu que abandonasse investigação sobre ex-conselheiro

 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   7 de Jun de 2017, 18:57

O ex-diretor da polícia federal norte-americana (FBI) James Comey confirmou numa declaração escrita enviada ao Congresso, divulgada hoje, que Donald Trump pediu-lhe para abandonar a investigação sobre Michael Flynn, ex-conselheiro envolvido no caso da alegada ingerência russa nas presidenciais.

 

Esta informação é divulgada na véspera da audição muito aguardada de James Comey no Comité dos Serviços de Inteligência do Senado (câmara alta do Congresso norte-americano).

Relatando um encontro realizado a 14 de fevereiro na Sala Oval (gabinete presidencial), Comey escreve que o Presidente Donald Trump falou com ele sobre a investigação relacionada com o ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn, acusado de mentir sobre contactos com responsáveis russos, e declarou: “Espero que possa encontrar uma forma de abandonar isto, de deixar Flynn. É um bom homem”.

Segundo Comey, este pedido estava relacionado com a investigação relativa “as falsas declarações de Flynn sobre as conversas que manteve com o embaixador russo em dezembro” e não com o inquérito mais alargado sobre um eventual conluio entre a Rússia e a campanha presidencial do candidato republicano.

“Foi contudo muito preocupante, tendo em conta o papel do FBI como um serviço de investigação independente”, escreveu Comey.

Nesta declaração de sete páginas, e divulgada hoje pelo Comité dos Serviços de Inteligência do Senado, o ex-responsável do FBI relatou os detalhes de um jantar na Casa Branca que decorreu a 27 de janeiro.

Nessa ocasião, Trump disse: “Preciso de lealdade. Eu espero lealdade”.

“Não consegui reagir, falar ou mudar a expressão da minha cara”, escreveu o antigo diretor do FBI, descrevendo “um silêncio constrangedor”.

E quando o Presidente, ao fim da refeição, relançou a questão da lealdade, James Comey relata que respondeu que o chefe de Estado "teria sempre honestidade” da sua parte, aceitando o pedido de Trump de uma “honestidade leal”.

Também confirmou que documentou em notas o conteúdo das suas conversas com o Presidente, como divulgaram vários ‘media” norte-americanos.

Comey foi demitido de forma repentina, a 09 de maio, numa altura em que estava a supervisionar uma investigação sobre os alegados contactos mantidos entre a campanha de Trump e a Rússia durante a corrida às presidenciais nos Estados Unidos.

O antigo diretor do FBI não presta declarações públicas desde a sua demissão.

Na quinta-feira, o início da audição de Comey está previsto para as 10:00 locais (15:00 em Lisboa).

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