Ex-administrador da Atlânticoline discorda da mudança da sede social para o Faial

Ex-administrador da Atlânticoline discorda da mudança da sede social para o Faial

 

LUSA/AO online   Economia   7 de Set de 2015, 14:40

O antigo administrador da Atlânticoline Carlos Reis afirmou hoje discordar da transferência da sede social da empresa pública açoriana de S. Miguel para o Faial, na sequência da fusão com a Transmaçor

"A única coisa com que não concordo é que a sede social fique na Horta. Só há um critério, o número de passageiros. A notoriedade da Transmaçor é no triângulo e a da Atlânticoline é nos Açores. O que devia ficar era a sede operacional no Faial", afirmou Carlos Reis, acrescentando que "não fazia sentido a região ter duas empresas da mesma área de atividade" e que "o mais importante é que da fusão resultem sinergias e uma redução de custos".

As declarações de Carlos Reis foram feitas na primeira audição da comissão de inquérito do parlamento açoriano ao transporte marítimo de passageiros e infraestruturas portuárias no arquipélago, em Ponta Delgada.

O Conselho do Governo Regional dos Açores aprovou no final de março a fusão das duas empresas públicas que, no arquipélago, asseguram o transporte marítimo de passageiros e viaturas (Atlânticoline e Transmaçor), tendo o executivo dado "orientação ao conselho de administração" da primeira para que a sua sede social passe para a Horta, ilha do Faial, tal como prevê uma recomendação aprovada por unanimidade pelo parlamento da região.

"A Atlânticoline não faz gestão da tripulação e a Transmaçor não tem nenhuma estrutura de gestão. Ela está criada em S. Miguel. Por que cargas de água há de ser no Faial [a sede social]? É uma questão empresarial pura e dura. Eu não faço política", justificou Carlos Reis.

Vincando que não conhece os contornos finais da fusão, assegurou que "já havia uma articulação e entendimento muito bons entre as duas empresas, os assuntos eram discutidos muito abertamente", e que "a fusão faz sentido do ponto de vista estrutural, mas do ponto de vista operacional há uma série de questões que podem ser melhoradas".

Carlos Reis reafirmou que o transporte marítimo de passageiros e carga nos Açores "justifica-se, deve manter-se, havendo para tal apenas duas opções: com navios próprios ou fretados".

A opção da região passa por mandar construir dois barcos com 115 metros e capacidade para 650 passageiros, no valor de 85 milhões de euros.

Carlos Reis referiu que na base das decisões tomadas está um estudo da DMT, de 2010, um documento "complexo, que faz a prospeção de vários cenários e apresenta várias soluções", a que se seguiu um estudo de viabilidade financeira, que à data da sua saída da Atlânticoline "não estava pronto".

"Na prática, o estudo analisava várias componentes. Conclui que era preciso dois navios para a operação, que era melhor ter navios próprios do que fretados. Era aberto nas escolhas dos navios que melhor serviriam. Navios mais rápidos, mais pequenos, em aço ou alumínio, foi o que tivemos de decidir", afirmou Carlos Reis, alegando que ter dois barcos iguais "traduz-se em economia de escala na construção, manutenção, recrutamento e formação dos tripulantes".

Carlos Reis demitiu-se em fevereiro da presidência da Atlânticoline, após cinco anos à frente da empresa, alegando "razões empresariais", nomeadamente, "responsabilidades que não estão a ser cumpridas pela tutela [Governo Regional dos Açores]".

Hoje precisou que as razões da demissão estiverem "exclusivamente" relacionadas com o facto de "não terem sido cumpridas responsabilidades financeiras por parte do Governo Regional no valor de sete milhões de euros”.

"A situação à minha saída da Atlanticoline estava completamente saneada do ponto vista financeiro, muito devido a termos recebido dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo dinheiro há muito devido [relativo ao processo do navio Atlântida)", disse, acrescentando que quando deixou a empresa o valor de endividamento "era residual".

Do âmbito desta comissão de inquérito fazem, também, parte os acidentes ocorridos em novembro de 2014 no Pico, num dos quais morreu um passageiro da Transmaçor atingido por um cabeço de amarração que rebentou.

Carlos Reis lamentou o sucedido e precisou que apesar de a embarcação envolvida no acidente ser propriedade da Atlânticoline, estava sob exploração da Transmaçor e foi esta empresa que contactou com os familiares da vítima mortal.

Em junho, o secretário regional dos Transportes dos Açores descartou qualquer responsabilidade política ou algum tipo de negligência no acidente mortal e disse que a região ia reforçar as condições de segurança nos portos.

O relatório do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos (GPIAM) concluiu que houve falta de manutenção dos cabeços de amarração do porto de São Roque do Pico.


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