Eventual saída grega da zona euro teria consequências imprevisíveis

Eventual saída grega da zona euro teria consequências imprevisíveis

 

Lusa/AO Online   Economia   3 de Nov de 2011, 08:27

A eventual saída da Grécia da zona euro teria consequências imprevisíveis, principalmente devido ao impacto nos mercados financeiros, defendeu hoje o economista Vítor Gonçalves em declarações à Agência Lusa.

Para além da “enormíssima instabilidade nos mercados”, o vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa considera igualmente que uma possível “saída do euro provocará provavelmente o não assumir dos compromissos por parte da Grécia”.

“A dívida da Grécia provavelmente não será paga nem sequer na percentagem que neste momento está em proposta, de haver uma diminuição de 50 por cento”, considerou.

O primeiro-ministro grego, Yorgos Papandreu, anunciou na segunda-feira a convocação de um referendo sobre o novo plano de resgate desenhado pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional que poderia conduzir o país a uma saída do euro.

O presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel avisaram na quarta-feira que a ajuda à Grécia ficará suspensa até à conclusão da consulta popular.

Vítor Gonçalves acredita que a não transferência da última tranche de ajuda à Grécia, a oitava, complicará ainda mais a situação no país.

“As consequências que poderão advir é que de acordo com os dados disponíveis se não houver esse pagamento não haverá dinheiro para pagar salários a funcionários públicos e a uma parte significativa do setor público já no mês de janeiro, o que levará a uma enormíssima instabilidade social, superior ainda àquela que está já a acontecer no país”, disse.

Sobre as declarações do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, na quarta-feira, admitindo que vai pedir um reajustamento de alguns pontos do programa de assistência económica e financeira a Portugal, o economista qualificou esta decisão como “absolutamente adequada”.

“Admito que este possa ser um primeiro pedido, a dilatação dos prazos, e num segundo momento um pedido de um reforço em termos financeiros, que seguramente virá a ser necessário”, explicou.


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