Bolsas

Europa arranca negativa depois do BCE ter congelado empréstimos

As principais bolsas europeias seguem hoje negativas, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter congelado os empréstimos à banca grega, circunscrevendo-os ao financiamento de emergência do banco central da Grécia


 

Nos primeiros minutos de negociação, o Eurostoxx 50 seguia a perder 0,52 por cento, para 2.165,30 pontos, com as principais praças a oscilarem entre as perdas de 0,59 por cento de Paris e as de 0,18 por cento de Frankfurt.

Em terreno negativo seguiam também Londres (0,55 por cento), Madrid (0,20 por cento) e Milão (0,51 por cento).

Lisboa seguia também em terreno negativo, a perder 0,54 por cento.

O Banco Central Europeu confirmou na quarta-feira que os bancos gregos com capitais próprios reduzidos não poderão aceder aos mecanismos de cedência de liquidez do BCE, tendo de recorrer a financiamento de emergência do banco central da Grécia.

Num esclarecimento enviado à agência Bloomberg, após notícias dando conta que na reunião de hoje do conselho de governadores do BCE, os responsáveis terão ameaçado cortar o financiamento a quatro bancos gregos com grandes lacunas nos seus capitais próprios, o BCE vem agora confirmar que está impedir estes bancos de aceder ao financiamento do Eurosistema.

O BCE ressalva, no entanto, que espera que a recapitalização dos bancos aconteça “em breve”, mas que até lá os bancos têm mesmo de recorrer ao mecanismo de financiamento de último recurso do banco central da Grécia.

Na prática, o Banco da Grécia terá de “imprimir” dinheiro para financiar os bancos gregos que não puderem aceder aos fundos do BCE, sendo que neste caso a responsabilidade e eventuais problemas ficam a cargo do Banco da Grécia, e não são partilhados pelos restantes bancos centrais do Eurosistema.

O BCE estará a recusar financiar estes bancos gregos “severamente sub capitalizados”, argumentando que não pode ceder liquidez a bancos que não dêem garantias de solvência, sendo que as regras para que os bancos individuais atuem como financiadores de último recurso impõe apenas uma condição, precisamente que o banco possa não ter liquidez mas que seja obrigatoriamente solvente.

Este mecanismo permite aos bancos centrais financiarem de forma discreta e imediata bancos comerciais com problemas graves de liquidez, mesmo criando nova moeda em euros, cuja decisão só pode ser bloqueada pelo BCE, com maioria qualificada e com a razão de que esta criação de nova moeda esteja a colocar em causa a estabilidade de preços.

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