Euronews não garante permanência dos jornalistas portugueses se falhar procura de parceiro


 

Lusa/AO Online   Nacional   25 de Nov de 2011, 06:45

O emprego dos 17 jornalistas portugueses na euronews pode estar em risco se a RTP não renovar o contrato, ficando esses postos de trabalho dependentes de a estação internacional encontrar um parceiro alternativo.

“Teremos que encontrar um novo parceiro, isso é uma certeza. O que também é certo, e já foi discutido ao nível do conselho de supervisão da euronews, é que não sabemos como financiar a língua portuguesa”, disse em Lyon a jornalistas de alguns órgãos de comunicação social portugueses, o diretor-geral da euronews, Michael Peters.

“Com o orçamento e restrições que temos, não conseguimos ver como podemos financiar esta língua com os nossos meios, esta como qualquer outra língua”, acrescentou.

O modelo de negócios da euronews passou pela emissão em cinco línguas nucleares, primeiro, e agora seis: inglês, francês, alemão, italiano, espanhol e depois em russo. Essas línguas são financiadas pela publicidade que a estação angaria nestes mercados. A emissão em línguas de mercados mais pequenos é financiada pelas televisões públicas desses mercados.

“Temos conversado sobre isto com a equipa portuguesa, se a RTP não renovar o contrato, se o governo não quiser financiar o serviço língua, se não encontrarmos um parceiro que garanta o financiamento, não poderemos manter os jornalistas portugueses”, disse Peters.

“Estamos a falar de muitas pessoas, teria um impacto social importante na euronews. É o que tenho explicado aos acionistas, não são apenas 17 pessoas, são todos os free-lancers que trabalham regularmente para a nós, há talvez uns vinte, e para além destes há ainda muitas famílias de nacionalidades mistas, porque muitos jornalistas portugueses constituíram famílias com jornalistas da euronews de outras nacionalidades, têm filhos. Terá um muito forte impacto social”, acrescentou o diretor-geral.

Para ver se ‘segura’ a emissão em língua portuguesa, a euronews está já a tentar encontrar alternativas fora de Portugal. “Vamos na próxima semana ao Brasil para uma grande ronda de conversações com os operadores de satélite e cabo sobre a viabilidade e interesse nos conteúdos em língua portuguesa, mas não temos a certeza”, indicou Peters.

Por outro lado, a equipa portuguesa tem sugerido a possibilidade de Angola vir a estar interessada e a direção da estação está a encarar essa hipótese também. “Porque não? Sabemos que Angola tem muitos recursos, é um país com muita importância em África. Porque não um parceiro angolano? Talvez possa parecer estranho ter um serviço em língua portuguesa financiado por um parceiro angolano a ser emitido em Portugal, mas porque não?”, deixa em aberto o diretor-geral da euronews.

“Estamos abertos a qualquer tipo de parceria, sendo que qualquer parceiro que esteja disposto a apoiar a edição em português tem que aceitar que em nenhum caso ele está autorizado a interferir nos conteúdos. Não haja dúvidas, preferimos acabar com a edição em língua portuguesa. Mas não estamos ainda a pensar em Angola, devo confessar. Para já, estamos totalmente empenhados em concentrar as discussões com o Governo português, que para nós é o primeiro interlocutor”, concluiu.


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