EUA não podem desresponsabilizar-se afirma Adriano Moreira

EUA não podem desresponsabilizar-se afirma Adriano Moreira

 

LUSA/AOnline   Regional   24 de Jan de 2015, 10:31

O professor universitário Adriano Moreira defendeu hoje que os Estados Unidos não podem desresponsabilizar-se das consequências negativas para os Açores do abandono da Base das Lajes, depois de esta ter servido os seus propósitos.

“Neste momento, os Estados Unidos estão naturalmente a ligar muita importância aos seus próprios interesses, e isso é próprio de um país, e talvez estejam a ser caracterizados por uma deriva em relação ao Oriente, mas não podem esquecer as responsabilidades atlânticas”, disse à Lusa o académico, após uma aula aberta na Universidade Nova de Lisboa.

E sobretudo – frisou -, “não podem praticar atos como é a exigência de utilização dos Açores, com que nós acabámos por concordar, servindo lealmente os compromissos assumidos, participando na NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte) com todos os sacrifícios que foram necessários, e os Estados Unidos não terem nada que ver com os prejuízos colaterais da intervenção que consideraram necessária”.

“Eles têm de tomar alguma responsabilidade pelos efeitos colaterais do abandono da base”, sustentou.

A propósito, referiu, “não é mau lembrar que a presença dos Estados Unidos nas Lajes começou por uma espécie de ultimato e que essa necessidade apareceu também na guerra do [Yom] Kippur [que envolveu a Síria, Israel e o Egito em 1973] e que também houve uma exigência dos Estados Unidos para utilizar a base dos Açores para a sua intervenção”.

O professor de Relações Internacionais recordou igualmente que “vai ser necessário organizar a segurança do Atlântico-Sul”.

“Eu penso que os Estados Unidos devem ser indispensáveis para articular a segurança do Atlântico-Norte com a não-organizada segurança do Atlântico-Sul e, nessa altura, se isso se chegar a fazer – e creio que vai ser indispensável, com as circunstâncias que todos conhecem -, os Açores provavelmente voltam a ser necessários”, observou.

Assim, Adriano Moreira considera que Washington deve ver “com muita prudência a atitude que está a tomar em relação aos Açores”.

“Sobretudo quanto aos efeitos colaterais que vêm pesar sobre a nossa economia, sobre a maneira de viver das populações, e aumentar as privações, que já são excessivas, porque de fadiga tributária já chega”, comentou.

Os Estados Unidos anunciaram a 08 de janeiro uma redução gradual dos trabalhadores portugueses da base das Lajes de 900 para 400 pessoas ao longo deste ano, e dos civis e militares norte-americanos de 650 para 165, com o objetivo de adequar as capacidades militares às necessidades operacionais.

Com a redução de pessoal na base açoriana, o Governo norte-americano prevê uma poupança anual de 35 milhões de dólares (29,6 milhões de euros).

A redução insere-se num plano de redimensionamento das forças militares norte-americanas em seis países europeus – Portugal, Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália e Reino Unido – que, no total, vai reduzir a despesa em 500 milhões de dólares (423,8 milhões de euros).

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