Estudo estima em 344 milhões o défice da Segurança Social em 2020

Estudo estima em 344 milhões o défice da Segurança Social em 2020

 

Lusa/AO online   Nacional   6 de Out de 2014, 15:02

Um estudo académico divulgado perspetiva que a Segurança Social apresente em 2020 um défice de 344 milhões de euros, a manter-se o desemprego, os baixos salários, o crescente número de reformados e o decréscimo da natalidade.

 

"A manter-se a elevada taxa de desemprego, o fraco crescimento econômico, os baixos salários e as elevadas despesas com pensões, entre outros fatores fundamentais à viabilidade financeira da Segurança Social, é expectável que o Sistema Previdencial Repartição apresente já em 2020 um défice de 344 milhões de euros", conclui o estudo.

Realizado por Sónia Oliveira, no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da Universidade de Aveiro, no âmbito do mestrado, o estudo analisou as consequências que a progressiva evolução do desemprego tem induzido na sustentabilidade da Segurança Social, tendo em conta as projeções do relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social, anexo ao Orçamento de Estado de 2013.

Durante 2012, e em relação a 2011, o aumento em 2,9 por cento da despesa foi superior aos 2,7 por cento de aumento da receita, sendo que a despesa com prestações de desemprego e apoio ao emprego se agravou em 23,3 por cento.

"O fato de o desemprego ter atingido, em 2012, uma média anual de 15,7 por cento, traduziu-se no aumento em 23,3 por cento na despesa com prestações de desemprego e apoio ao emprego, totalizando 2.593 milhões de euros, ou seja, mais de 490 milhões do que em 2011", o que justifica "o diminuto saldo orçamental de 419 milhões de euros" explica Sónia Oliveira.

A despesa com prestações sociais, pela qual o sistema previdencial é responsável, de 2011 para 2012, aumentou 353,3 milhões de euros, totalizando um gasto de 21.105 milhões de euros.

Já a receita de contribuições teve uma quebra de 672 milhões de euros que se traduziu na redução de 0,9 por cento da população ativa e, ainda, na redução salarial que os trabalhadores foram alvo ao longo de 2012.

"Embora este estudo seja um diagnóstico aproximativo e sintético das consequências do desemprego na sustentabilidade financeira da Segurança Social, permite uma aproximação realista à atual precariedade do mercado de emprego, causada pelo agravamento da situação econômico financeira de Portugal e que coloca veementemente em causa o futuro do Estado Providência", alerta Sónia Oliveira.

Para a investigadora, o tema "deve ser analisado transversalmente e numa perspetiva a longo prazo, uma vez que envolve indicadores econômicos, demográficos e sociais".


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