“Estrela” do gospel zimbabueano terá desviado 7,3ME para Portugal

“Estrela” do gospel zimbabueano terá desviado 7,3ME para Portugal

 

Lusa/AO online   Cultura e Social   20 de Mar de 2018, 14:12

O nome de uma das “estrelas” do gospel zimbabueano estará envolvido no desvio de nove milhões de dólares (7,3 milhões de euros) do Zimbabué, dinheiro que foi depositado num banco português, não identificado, noticia esta terça-feira a imprensa de Harare.

Elias Musakwa figura na lista divulgada na segunda-feira pelas autoridades do Zimbabué com os nomes dos que recusaram repatriar os capitais saídos ilegalmente do país durante a vigência do regime do ex-Presidente zimbabueano Robert Mugabe, que incluem sobretudo empresas mineiras e empresários chineses.

Segundo as autoridades zimbabueanas, Musakwa consta de uma lista de 1.403 pessoas e empresas que “recusaram, ignoraram ou negligenciaram” a oportunidade dada pelo Presidente Emmerson Mnangagwa, que, em dezembro, logo após tomar posse, deu um prazo de três meses para quem transferisse para o Zimbabué o dinheiro das contas no estrangeiro, enquadrado por uma amnistia, cujo prazo terminou na segunda-feira.

Segundo Mnangagwa, há 1.400 milhões de dólares (1.140 milhões de euros) que saíram ilegalmente do país, tendo, com a amnistia, sido “recuperados ou transferidos” 521 milhões de dólares (424 milhões de euros).

Os sítios Bulawayo24 e New Zimbabwe indicam hoje que Musakwa adquiriu a mais importante empresa do setor da música do país, a Ngaavongwe Records, antiga Gramma Records, em conjunto com o entretanto falecido empresário Josiah Tungamirai, e é proprietário também dos Mosi-a-Tunya Studios, Shed Shed Studios e da Empresa Musical do Zimbabué, constituindo assim um “império” neste domínio.

O cantor é também candidato às legislativas deste ano nas listas do partido no poder, a União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU-PF).

No passado, Musakwa trabalhou no Banco do Zimbabué, com a imprensa zimbabueana a especular com a ideia de o cantor e empresário ter aproveitado os conhecimentos internos para enviar o dinheiro para o estrangeiro – não é adiantado o nome do banco português - durante o regime de Mugabe.

O passo seguinte é obrigar os prevaricadores a responder e, se necessário, levá-los à justiça por transferências ilegais de dinheiro, sublinhou Mnangagwa na segunda-feira, depois de divulgada a lista.

“Não me resta senão nomear, desonrar e perseguir na justiça os que não responderam à amnistia, uma vez que não ligaram à importância da necessidade da boa governação e falharam com as obrigações legais de cidadania”, afirmou o presidente, no poder desde novembro, após Mugabe ter sido, no mesmo mês, obrigado a renunciar.

As companhias mineiras são os principais prevaricadores, segundo a lista, em que figuram empresas como a African Associated Mines (enviou para o estrangeiro 62 milhões de dólares) e a diamantífera Marange, uma parceria entre o Governo zimbabueano e investidores chineses (54,2 milhões de dólares).

A lista integra também um grande número de empresários chineses e de personalidades zimbabueanas, bem como de instituições, como o Gabinete Nacional de Indiginização, entidade encarregada da aplicação de uma controversa lei que visa obrigar as empresas estrangeiras a ceder a maioria das ações a investidores locais.

O objetivo da amnistia visa trazer de volta a grande quantidade de dinheiro ao país, mergulhado numa grave crise económica e financeira, caracterizada, entre outras razões, por uma taxa de desemprego de mais de 90% e por falta de liquidez.

No Zimbabué, lembrou recentemente Mnangagwa, o envio de capitais para o estrangeiro constitui “um crime económico contra o povo zimbabueano”.



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