Especialista em relações internacionais defende revisão do Acordo das Lajes


 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Jan de 2015, 06:48

O professor universitário e especialista em relações internacionais Luís Andrade defendeu hoje que Portugal e EUA deveriam promover uma revisão do acordo bilateral de defesa e cooperação em vigor.

“Penso que neste momento, face ao que está a acontecer (a redução do efetivo militar dos EUA nas Lajes), era bom que as autoridades portuguesas e norte-americanas se sentassem à mesa e, de uma forma clara, se analisasse friamente esta questão e ver até que ponto o acordo pode e deve ser revisto”, declarou à Lusa o especialista em relações internacionais.

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, anunciou hoje a redução de 500 efetivos na base das Lajes, bem como o encerramento de uma base no Reino Unido.

Os EUA retirarão 500 efetivos do contingente da base das Lajes, onde atualmente estão colocados cerca de 800.

Luís Andrade, que já representou os Açores na comissão de acompanhamento do denominado Acordo das Lajes em representação do Governo Regional, considera que, após a decisão dos EUA, “é altura” de Portugal solicitar aos EUA a sua revisão.

De acordo com Luís Andrade, apesar de Portugal e os EUA terem uma relação “forte, de grande amizade”, o certo é que “os interesses sobrepuseram-se”.

“Neste caso concreto, para além das alterações de natureza geopolítica a nível internacional, é evidente que os EUA queriam reduzir esta presença, nomeadamente por questões de natureza financeira”, declarou.

Luís Andrade considerou que a decisão norte-americana ”terá implicações, necessariamente”, uma vez que o ministro dos Negócios Estrangeiros referia esperar que a redução do efetivo militar nas Lajes não tivesse lugar de imediato e que, a existir, teria implicações nas relações entre Portugal e os EUA.

Sobre se a base das Lajes tem vindo a perder importância, o especialista em relações internacionais considerou que se tem assistido a “algumas alterações” que começaram após a “guerra fria” e se acentuaram com o cenário geopolítico internacional, algo que considera os EUA “não estarem imunes”.

“Esta é uma fortíssima redução que tem implicações muito graves para os Açores e, sobretudo, para a economia da ilha Terceira”, declarou Luís Andrade, alertando para o facto de a redução militar norte-americana implicar também uma redução do pessoal português naquela infraestrutura.

O Governo português manifestou hoje o seu “forte desagrado” pela “decisão unilateral” da administração norte-americana de reduzir pessoal na base das Lajes, considerando que o impacto económico e social na ilha Terceira é “especialmente preocupante”.

“O Governo português expressa o seu forte desagrado por esta decisão, que não teve em conta as preocupações que transmitiu aos Estados Unidos da América ao longo dos últimos dois anos, em articulação com o Governo Regional dos Açores”, afirma, em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros.

O presidente do Governo dos Açores também já considerou hoje que a decisão dos EUA sobre as Lajes é "uma monumental bofetada na cara do Estado português" e anunciou que vai pedir audiências urgentes ao Presidente da República e ao primeiro-ministro.


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