Especialista defende turismo sustentável para evitar Porto "plastificado"

Especialista defende turismo sustentável para evitar Porto "plastificado"

 

Lusa/AO online   Nacional   29 de Mar de 2016, 14:55

O futuro do centro histórico do Porto deve passar por um desenvolvimento turístico "sustentável", para evitar que a zona se transforme numa "cidade plastificada", igual a muitas outras, defendeu uma especialista em Turismo e Património.

 

“Não estamos contra o turismo. O turismo é o motor da economia. Achamos é que devem existir equipas multidisciplinares para que o desenvolvimento do setor seja feito de forma sustentável, evitando que o Porto se transforme numa cidade plastificada, standardizada, sem população e com comércio e serviços de grandes cadeias, iguais em todo o lado do mundo”, observou Isabel Freitas, docente do Departamento de Turismo, Património e Cultura da Universidade Portucalense.

Para a professora, que falava à Lusa à margem de um debate que decorreu hoje naquela instituição, “encontrar outros polos de atração turística na cidade”, nomeadamente na zona da Foz, é uma das formas de “evitar a pressão sobre o centro histórico” e ajudar a Câmara do Porto e a Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) no trabalho que têm desenvolvido para evitar os riscos da massificação do turismo.

“As entidades públicas da cidade estão preocupadas. A Câmara e a SRU estão a trabalhar, mas a cidade tem tido mais resultados na atração turística do que na fixação da população. Sabemos que o esforço da cidade é grande, mas as pessoas continuam a sair”, notou Isabel Freitas.

O problema, destacou, é que “a alma do lugar que as pessoas transportam com a sua presença está a desaparecer” do centro histórico do Porto, classificado como Património da Humanidade.

Por outro lado, aquela zona começa “a ter serviços e comércio que se veem em todo o lado”, ao mesmo tempo que “desaparecem as confeitarias mais tradicionais”.

“A grande questão é como é que as entidades públicas podem evitar o despovoamento e a fixação de grandes cadeias em edifícios privados”, afirmou a docente.

Uma das opções, para a professora, é “tentar encontrar outros espaços na cidade do Porto que possam absorver o turismo, desviando a pressão do centro histórico”.

O debate hoje realizado na Universidade Portucalense abordou questões como a regeneração urbana, a fiscalidade associada à reabilitação, o crescimento do turismo na cidade, a mobilidade e o despovoamento do centro histórico.


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