Espanha, França e Alemanha lideram em Portugal o valor acrescentado de filiais estrangeiras


 

Lusa/AO Online   Economia   29 de Dez de 2015, 11:24

Quase 75% do valor acrescentado bruto (VAB) gerado por filiais estrangeiras em Portugal em 2014 teve origem em sociedades controladas por entidades da União Europeia (UE), com destaque para os líderes Espanha, França e Alemanha, divulgou esta terça-feira o INE.

 

De acordo com as Estatísticas da Globalização 2010-2014 do Instituto Nacional de Estatística (INE), estes três países foram responsáveis por quase 50% do VAB gerado pelo total de filiais estrangeiras em Portugal e "mantiveram-se entre 2010 e 2014", apenas com algumas variações de posição no 'ranking'.

No ano passado, existiam em Portugal 5.521 filiais de empresas estrangeiras, menos 1,9% face ao ano anterior.

O INE mostra que 74,1% do valor do VAB gerado em 2014 (mais 4,8 pontos percentuais face a 2013) teve origem em sociedades cujo capital era controlado por entidades pertencentes à União Europeia, sendo os restantes 25,9% do VAB atribuíveis a sociedades cujo centro de decisão se encontrava fora da UE.

Espanha voltou a controlar o maior número de filiais em atividade no país, representando 27,2% do total (menos 0,9 pontos percentuais face a 2013).

Mas se se tiver em conta o principal país de origem do controlo de capital no que respeita ao VAB gerado pelas filiais de empresas estrangeiras, França lidera com 17% do VAB (2,6 mil milhões de euros) em 2014, seguindo-se a Espanha, com 16,6% e a Alemanha, com 16,2%.

"A variação mais relevante esteve relacionada com o crescimento do peso relativo da França face aos demais países, nomeadamente a Alemanha que, em 2013, detinha o controlo da maior parcela do VAB gerado pelas filiais estrangeiras em Portugal", justifica o INE.

Espanha ocupou um dos três primeiros lugares da tabela do peso do VAB em seis setores de atividade, assumindo a liderança no setor da construção e atividades imobiliárias (24,0%) e no setor do comércio (20,7%).

Nos restantes países Intra–UE, a França liderava o setor dos transportes e armazenagem com 44,9% e a Alemanha o setor da indústria e energia com 24,5% do VAB.

O setor da agricultura e pescas, embora liderado pelos Países Baixos com 26,6% do VAB, tem uma forte presença dos países Extra-UE, responsáveis pela geração de mais de 30% do VAB das filiais deste setor.

O Reino Unido assume um papel preponderante nos setores da informação e comunicação (42,0%) e do alojamento e restauração (19,9%).

Entre os dez países com maior peso no número de filiais estrangeiras e VAB, apenas os Estados Unidos e o Brasil não pertenciam ao continente europeu.

As 5.521 filiais de empresas estrangeiras que existiam em 2014 em Portugal corresponderam a 1,5% do total das sociedades não financeiras (1,6% em 2013), responsáveis por 23,2% do Volume de negócios (23,3% em 2013) e por 21,8% do Valor acrescentado bruto (21,9% em 2013), do valor total gerado pelo conjunto das sociedades não financeiras.

Estas 5.521 filiais estrangeiras tinham cerca de 364 mil pessoas ao serviço, representando 14,3% do emprego no conjunto das sociedades não financeiras.

Em termos médios, cada filial empregou cerca de 66 pessoas em 2014 (+ 3,8 pontos percentuais face ao ano anterior).

O INE explica que apesar da queda observada em 2014 no número de filiais de empresas estrangeiras, estas revelaram "um desempenho positivo nos principais indicadores económicos", com VAB gerado de 15,3 mil milhões de euros, mais 4,3% face a 2013 (0,3 pontos percentuais acima do crescimento observado para o conjunto das sociedades não financeiras controladas por entidades nacionais).

Do total de filiais estrangeiras, 28,3% tinham perfil exportador e foram responsáveis por 40,3% do VAB em 2014. Considerando ainda o indicador VAB, em 2014, as filiais de empresas estrangeiras com um perfil não exportador (59,7% do total) cresceram 5,4%, o dobro face à evolução observada pelas filiais com perfil exportador.

As filiais estrangeiras exportadoras em 2014 foram uma parcela bastante mais significativa do número, VAB e pessoal ao serviço do total das filiais estrangeiras (28,3%, 37,6% e 40,3% respetivamente) face às sociedades nacionais (5,7%, 20,7% e 30,4%).

As filiais com o centro de decisão num dos países Extra-UE apresentaram um perfil exportador ainda mais vincado, com quase metade do pessoal ao serviço e mais de metade do VAB destas sociedades a pertencerem a empresas de cariz exportador.

A remuneração média anual por trabalhador foi de 18,05 mil euros, 36,5% acima do valor registado no total das sociedades não financeiras, correspondente a 13,23 mil euros de remuneração média anual por trabalhador.

Já o peso das remunerações no VAB é superior nas sociedades nacionais (49,5%) face ao peso registado nas filiais estrangeiras em Portugal (42,9%).

Nos últimos cinco anos, o peso das filiais estrangeiras exportadoras passou de 35,3% para 40,3%, sustentado essencialmente pelo crescimento do peso das filiais Intra-UE, cuja representatividade no VAB passou de 29,9% para 36,2%.

Em 2013, as sociedades de elevado crescimento (SEC) representavam 3,6% das filiais estrangeiras (com 10 ou mais pessoas ao serviço remuneradas) e 6,7% de pessoal ao serviço, valores acima das sociedades nacionais (2,1% e 5,2%, respetivamente).

No entanto, nas sociedades nacionais, as SEC tiveram um maior peso económico, gerando 4,1% do VAB (face a 3,5% nas filiais estrangeiras).

No destaque hoje divulgado, o INE divulga os dados definitivos das estatísticas das filiais de empresas estrangeiras em Portugal para 2013 e também, pela primeira vez, os dados preliminares relativos a 2014.

Os resultados apresentados estão em linha com a aplicação do Sistema Europeu de Contas 2010, o que implicou alterações na classificação do setor institucional das entidades, afetando a delimitação do setor empresarial.


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