Eslovénia substitui Portugal na presidência da UE

Eslovénia substitui Portugal na presidência da UE

 

Lusa / AO Online   Internacional   31 de Dez de 2007, 07:23

Portugal é substituído a 01 de Janeiro na presidência semestral rotativa da União Europeia pela Eslovénia, uma nação independente há apenas 16 anos e o primeiro dos países ex-comunistas a assumir essa responsabilidade.
    Este país alpino com dois milhões de habitantes, que entrou no início de 2007 na Zona Euro e a 21 de Dezembro último no espaço Shengen, terá a grande responsabilidade de coordenar a política externa e de segurança comum europeia numa altura em que o Kosovo se prepara para declarar a independência da Sérvia.

    O primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, anunciou há uma semana que a estabilização da região dos Balcãs será a sua prioridade durante o semestre em que assumirá a presidência da União Europeia.

    Apesar do seu estatuto de pequeno país da UE, a Eslovénia pode estar bem colocada para fazer a diferença no actual xadrez político dos Balcãs.

    A Sérvia, o Kosovo e a Eslovénia pertenceram no passado à Federação Jugoslava e os observadores ocidentais esperam que a Eslovénia utilize agora os seus antigos "laços de família" para ajudar a encontrar uma solução sobre o futuro estatuto do Kosovo, uma das questões mais sensíveis do panorama político internacional.

    Os Estados Unidos e a maioria dos países da UE estão dispostos a reconhecer a independência do Kosovo porque o território não está sob controlo da Sérvia desde 1999, quando a NATO interveio para parar a ofensiva militar do antigo presidente sérvio Slobodan Milosevic contra os separatistas.

    A Sérvia, apoiada pela Rússia, insiste que o Kosovo - considerado o berço medieval da nacionalidade Sérvia - deve continuar a fazer parte do seu território, e pede mais negociações com o Kosovo e com a Albânia.

    O ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslovénia, Dimitrij Rupel, reconheceu que o país vai enfrentar uma tarefa muito difícil na mediação entre os seus "amigos" kosovares e sérvios, trabalhando também ao mesmo tempo para manter coesa a União Europeia.

    Mas a Eslovénia também terá a responsabilidade de continuar o trabalho da presidência portuguesa na área do acompanhamento do processo de ratificação do Tratado de Lisboa em todos os Estados-membros, que se espera esteja concluído "o mais rapidamente possível".

    O chefe da diplomacia eslovena admitiu que a Irlanda tinha a tarefa "mais complicada", visto ser o único país a ter de organizar um referendo, mas mostrou-se disposto a "seguir" os processos de ratificação em todos os Estados-membros, e mesmo a "fazer campanha" naqueles que precisarem.

    A Energia e o Ambiente, com a definição de quotas de redução dos gases com efeito de estufa em todos os Estados-membros, é outra das prioridades da Eslovénia, uma matéria "importante para garantir a qualidade de vida dos europeus".

    A Estratégia de Lisboa de modernização da economia da UE é a prioridade seguinte, pretendo Ljubljana aprovar "as linhas directrizes integradas" de um novo ciclo desta política no Conselho Europeu que se irá realizar em Bruxelas a 13 e 14 de Março.

    A Eslovénia está a preparar-se há mais de um ano para assumir as suas responsabilidades europeias, construindo instalações e contratando funcionários especializados nas mais variadas áreas.

    A França, que assume logo a seguir a presidência (segundo semestre de 2008), concordou em ajudar a pequena rede diplomática Eslovénia no estrangeiro oferecendo algumas das suas embaixadas como missões presidenciais da UE.

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