Escultor açoriano fez busto para homenagear "figura cativante"

Escultor açoriano fez busto para homenagear "figura cativante"

 

AO/Lusa   Regional   12 de Mar de 2017, 13:32

O escultor açoriano Rui Goulart fez um busto do papa Francisco, que em maio peregrina a Fátima, para homenagear esta "figura cativante", um trabalho que se junta aos de personalidades como Amália Rodrigues ou José Saramago.

“É um papa diferente desde o primeiro dia. Tem um sorriso fascinante e, além disso, é um papa que foge ao convencional. Foi uma figura que me cativou desde o princípio”, afirmou à agência Lusa Rui Goulart, 49 anos, natural da ilha do Pico e a residir em São Miguel.

O escultor referiu que o busto do papa, feito primeiro em barro e depois em gesso, mede cerca de 70 centímetros. Foi criado em 2015, no âmbito da iniciativa “Arte Viva”, evento que reúne em Ponta Delgada artistas de diferentes técnicas para trabalharem ao vivo.

O ano passado, Rui Goulart fez, também, um relevo, em formato de quadro, do chefe máximo da Igreja católica, o primeiro jesuíta a tornar-se papa e que sucedeu a Bento XVI.

O escultor, funcionário na Eletricidade dos Açores e com obra dentro e fora do arquipélago, explicou que ambos os trabalhos “não têm objetivos comerciais”, permanecendo em sua casa como peças decorativas.

Questionado se gostaria de ver esta peça num espaço visível ou visitável, Rui Goulart frisou que a obra não foi executada com esse propósito, pelo que essa possibilidade não se coloca.

“Ao ‘Arte Viva’ tento levar personalidades universais que permitam uma interação mais fácil com o público”, adiantou Rui Goulart, que já fez o busto da fadista Amália Rodrigues, do Nobel da Literatura José Saramago ou do escritor açoriano Vitorino Nemésio.

Os seus trabalhos artísticos começam com um estudo fotográfico. Segue-se a caracterização em barro, moldes em gesso ou silicone e, depois, a fundição em bronze, sempre na mesma empresa localizada no norte do país.

“Eu namoro muito com as imagens. Fixo as imagens e vou estudando. Não começo logo a fazer o trabalho. Levo ali dias a olhar para a imagem. Normalmente o que acontece é quando inicio o trabalho já pouco olho para a fotografia”, disse Rui Goulart, acrescentando que não faz exatamente uma cópia da fotografia, pois o que tenta apanhar é a expressão.

Os seus principais clientes são autarquias, mas também a Igreja Católica, sendo que das suas mãos já foram criadas inúmeras peças de sacerdotes, políticos, empresários, entre outras personalidades.

Em 2012, o escultor foi responsável pelo busto em bronze de Arquimínio Rodrigues da Costa, o último bispo português de Macau, que morreu em setembro de 2016 na sua ilha natal, o Pico, aos 92 anos.

“Foi uma encomenda da Junta de Freguesia de São Mateus do Pico. Na altura, o D. Arquimínio estava muito doente, mas ainda foi possível ele ir à inauguração do seu próprio busto”, declarou Rui Goulart, que já perdeu a conta das personalidades que esculpiu.

Agora, está a braços com uma estátua com 2,20 metros de altura, cuja inauguração está prevista para junho próximo.

“Neste momento tenho entre mãos [a estátua] do senhor comendador Manuel Eduardo Vieira, que é o maior produtor de batata-doce do mundo. Essa imagem vai para a Silveira, no Pico, a sua terra natal”, revelou Rui Goulart, que gosta de esculpir ao som de música clássica ou sacra, consoante o trabalho.



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