Escritor critica Angela Merkel por causa do escândalo das escutas

Escritor critica Angela Merkel por causa do escândalo das escutas

 

LUSA/AO Online   Internacional   29 de Jun de 2014, 15:18

O escritor alemão Gunter Grass, Prémio Nobel da Literatura, criticou hoje a chanceler Angela Merkel que acusa de ter desprezado de forma "escandalosa" os autores que tomaram posição contra o escândalo das escutas telefónicas norte-americanas na Alemanha.

“Se fosse mais novo acampava frente à sede do Governo à espera de uma resposta”, disse Gunter Grass, 86 anos, numa entrevista publicada hoje na revista Focus. A carta de protesto sobre o caso das escutas dos Estados Unidos na Alemanha, na sequência das denúncias do antigo operacional da Agência Nacional de Segurança, Edward Snowden, foi tornada pública pelos autores e enviada à chanceler alemã, em 2013, que ainda não respondeu à indignação manifestada pelos subscritores. A carta foi subscrita por vários autores alemães, incluindo Gunter Grass, e apoiada por 67 mil pessoas através da internet. Na opinião de Gunter Grass, o “desprezo” de Merkel sobre a carta aberta não deve surpreender ninguém já que, afirmou, a chanceler alemã é uma pessoa que “gosta de deixar passas os assuntos”. O escritor alemão também subscreveu o manifesto que 560 autores de 81 países publicaram no passado mês de dezembro e que foi publicado em jornais de todo o mundo sobre o repúdio pelos programas de vigilância e de espionagem revelados por Edward Snowden. Entre os subscritores encontram-se outros quatro prémios Nobel: o turco Orhan Pamuk, o sul-africano J.M. Coetzee, a austríaca Elfriede Jelinek e o sueco Tomas Transtromer-Ford, além de escritores como Don DeLillo, Richard Ford, David Grossman, Javier Marías e Javier Cercas. Além da questão da espionagem, na entrevista publicada hoje na revista Focus, Gunter Grass refere-se aos últimos tempos, afirmando que não tem medo da morte, mas que receia a possibilidade de vir a sofrer de demência o que pode vir a converter-se “num peso” terrível para a própria família. A religião não lhe oferece qualquer consolo para a questão da idade, mas Grass disse que gosta da ideia budista de renascer e que, por isso, escolhe o cuco como reencarnação: “O pássaro que anuncia a primavera e que todos os anos promete coisas novas”. “O cuco tem o mau hábito de colocar os ovos em ninhos alheios e essa também é uma ideia sedutora”, disse Gunter Grass.


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