Escolas, hospitais e tribunais dos Açores condicionados pela paralisação da função pública

Escolas, hospitais e tribunais dos Açores  condicionados pela paralisação da função pública

 

Lusa/AO Online   Regional   26 de Mai de 2017, 12:44

Centenas de alunos concentraram-se hoje no exterior da Escola Secundária Antero de Quental, um dos principais estabelecimentos de ensino na ilha de São Miguel, onde não houve aulas na sequência da greve da função pública.

Sem funcionários suficientes para assegurar o normal funcionamento da escola, Maria Medeiros, 46 anos, funcionária pública há 19, foi das poucas funcionárias que não aderiu à paralisação porque tem o marido desempregado e não pode ver o seu vencimento penalizado, para além do facto da greve de 2016 “não ter resolvido nada”.

João Fontes e Sousa, 19 anos, do 12.º ano de escolaridade, tinha duas aulas programadas, enquanto Maria Melo, de 18, também a frequentar o 12.º ano, concentrava-se no exterior da escola em que deveria ter frequentado hoje três aulas, tal como Júlia Botelho, de 17.

Jorge Augusto, administrador judiciário, declarou à Lusa que nos tribunais dos Açores, a greve “não teve o mesmo impacto” do que uma paralisação convocada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais, tendo os concelhos que registaram maior adesão à paralisação sido Ribeira Grande (de 21 aderiram 11), em São Miguel, e Angra do Heroísmo (de 29 funcionários aderiram 19), na Terceira.

O administrador judiciário declarou que, “em princípio os serviços mínimos serão suficientes para garantir os julgamentos que estão decretados” para hoje.

Nas consultas externas do hospital de Ponta Delgada, vivia-se, apesar da greve, a rotina diária, tendo Ana Isabel Pavão, que é funcionária daquela unidade há 27 anos, conhecimento de colegas que optaram por não trabalhar, e só não fez o mesmo porque “o ordenado já é pouco”, uma vez que “há dez anos que não se sobe de carreira”.

Convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), a greve nacional de hoje na Função Pública foi anunciada no início de abril para reivindicar aumentos salariais, pagamento de horas extraordinárias e as 35 horas de trabalho semanais para todos os funcionários do Estado.

O regime das 35 horas foi reposto em julho de 2016, deixando de fora os funcionários com contrato individual de trabalho, sobretudo os que prestam serviço nos hospitais EPE.

A FNSTFPS, afeta à CGTP, é composta pelos sindicatos do norte, centro, sul, regiões autónomas e consulares, e representa 330 mil funcionários.

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