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Escassez de musgo devido à seca leva a maior procura nas lojas

Escassez de musgo devido à seca leva a maior procura nas lojas

 

Lusa/AO online   Nacional   23 de Dez de 2017, 10:09

O musgo, planta muito utilizada nos presépios de Natal, é este ano mais escasso devido à seca e aos incêndios que assolaram o país, e por isso também mais caro, tendo a procura aumentado nas lojas, segundo vendedores.

Alguns comerciantes de flores do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL) ouvidos pela agência Lusa referiram que a seca e os incêndios florestais tiveram "bastante impacto" na quantidade de musgo disponível para colheita.

"Este ano tivemos muito menos musgo e ao mesmo tempo mais procura. Normalmente há muita gente que opta por colher, mas como este ano havia menos recorreram aos vendedores", explicou uma comerciante.

A vendedora, que colheu o musgo na zona de Leiria, referiu que a dificuldade em encontrar a planta aumentou os gastos, sobretudo em combustível.

Outra comerciante de flores, que costuma vender musgo da zona de Pedrógão Grande (atingida por um grande incêndio em junho), queixou-se da escassez desta planta, confirmando a dificuldade em satisfazer "tanta procura".

De acordo também com o departamento de comunicação do Horto do Campo Grande, em Lisboa, houve nesta época “bastante procura” pelo musgo, que se “vendeu bem”, apesar de estar mais caro.

“Continua a ser procurado, mas este ano também está diferente devido à seca, além de estar sobretudo mais caro”, indicou.

A “crescente procura” foi confirmada pela empresa Luso Florestal, com sede em Torres Vedras, que admitiu, porém, que este ano “foi muito difícil de arranjar, sobretudo devido à seca”.

“Tivemos mais procura que nos outros anos, mas como foi um ano muito seco foi difícil de arranjar”, explicou a empresa.

Já com as árvores naturais a venda correu “muito bem”, tendo a empresa de se abastecer por três vezes. O número de vendas ainda não está contabilizado.

Vários comerciantes do MARL referiu que as vendas das árvores decorreram com normalidade e que a situação de seca ou dos incêndios "não interferiu porque todas as árvores vendidas são importadas de outros países da Europa”.

No entanto, uma das comerciantes queixou-se da "concorrência dos supermercados", que tem vindo a "prejudicar o negócio".

"Hoje em qualquer supermercado vendem-se flores e árvores de Natal e fazem-no ao desbarato. De ano para ano temos sentido uma grande quebra nas vendas", lamentou.

No Horto do Campo Grande este ano houve mais procura pelos pinheiros naturais, sobretudo pelo cliente particular, com a preocupação de adquirir árvores com raiz para replantar no final do Natal.

“Se o cliente não tiver forma de aproveitar o pinheiro pode devolvê-lo ao Horto do Campo Grande, onde este será aproveitado para biomassa ou mantido até ao próximo ano com os cuidados necessários”, explicou a empresa.

Este ano a procura por pinheiros naturais começou mais cedo no Horto - a meio de novembro já havia clientes a perguntar por eles -, tendo-se vendido à volta de 500 exemplares. Cada um, com raiz e cerca de um metro de altura, ronda os 40 euros.

“O valor de um pinheiro natural pode ir até aos 1.000 euros, depende da altura da árvore. Para os artificiais o valor começa nos 150 euros para um pinheiro de 1,50 metros”, frisou, acrescentando que a procura este ano aumentou, começando a notar-se uma tendência e maior preocupação em ter “uma árvore de Natal sustentável”.

Ao Horto do Campo Grande os incêndios que assolaram o país não impuseram restrições quanto ao número de árvores para venda, uma vez que, segundo a empresa, as arvores vendidas “são de criações específicas: ornamentais e não de espécie florestal”.

“No entanto, teve algum impacto no comportamento do consumidor, que está mais preocupado com a origem da árvore e com a sua manutenção para o futuro. A seca tem sempre impacto, claro. Este ano os pinheiros são menos robustos e notamos que alguns estão mais secos, apesar de serem originários da Europa do Norte”, sublinhou.

Em Ponta Delgada, maior cidade açoriana, quatro vendedores no campo de São Francisco, no centro da cidade, tinham ainda dezenas de árvores para vender a poucos dias do Natal.

O negócio, contou Evaristo Carvalho, há mais de 30 anos no negócio, anda “fraquíssimo”: “As pessoas preferem agora as árvores de plástico”, contou o açoriano, que diz ter vendido cerca de 250 árvores neste período, um número “muito inferior” ao de outros anos. Cada árvore custa entre 20 e 30 euros.


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