Erupção vulcânica no Fogo agrava-se com mais uma boca de lava

 Erupção vulcânica no Fogo agrava-se com mais uma boca de lava

 

Lusa/AO online   Internacional   24 de Nov de 2014, 13:53

A erupção vulcânica que domingo se iniciou na ilha cabo-verdiana do Fogo está a agravar-se, com a abertura de uma nova cratera por onde está a sair lava espessa e que já percorreu mais de quatro quilómetros.

 

A informação foi avançada a agência Lusa por Fausto do Rosário, elemento do Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros (SNPCB) de Cabo Verde, em Chã da Furna, a meio caminho entre Cova Figueira, localidade a sul do vulcão e para onde se dirigem as lavas, e Chã das Caldeiras, localidade no sopé dos cones vulcânicos.

"Não há sinais de diminuição, mas sim de aumento. Abriu-se há pouco uma nova cratera" próxima da inicial, situada em Pico Novo, a poucos metros do cone que entrou em erupção em 1995 e na subida para o "grande vulcão", cujo ponto mais alto atinge os 2.829 metros de altitude.

A principal estrada que liga Cova Figueira a Chã das Caldeiras, no troço que já dentro da cratera, está cortada e destruída pela força de duas torrentes de lava, que escorrem em direção a sul, sem terem ainda atingido o mar.

Em declarações também à Lusa, Sónia Silva Vitória, geóloga cabo-verdiana da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) que está a acompanhar a evolução do vulcão, admitiu o risco de as lavas atingirem e destruírem o Parque Natural do Fogo, erguido a partir de parte das cinzas da erupção de 1995, a última.

"Há risco de as lavas chegarem ao Parque Natural e é desejável que as pessoas saiam rapidamente de Chã das Caldeiras, zona de grande risco", afirmou Sónia Silva Vitória, confirmando que estão naquela localidade algumas dezenas de jovens que se recusam a abandonar o povoado, apesar dos insistentes apelos das autoridades.

A este propósito, Fausto do Rosário lembrou que todas as mulheres, crianças e idosos já abandonaram Chã das Caldeiras, numa operação de evacuação que decorreu ao longo de domingo e garantiu que os jovens que permanecem na localidade são "vigorosos", conhecem bem o terreno" e, em caso de perigo, sabem por onde fugir a pé.

"Há vias terrestres que eles conhecem muito bem", sublinhou, admitindo, porém, que o perigo é elevado e que deveriam abandonar rapidamente a localidade.

Sobre a evolução da erupção, a geóloga Sónia Silva Vitória indicou que estão já formadas duas torrentes de lava, uma, a "A'a'", que se consolida rapidamente através de um processo natural de arrefecimento, e a segunda, a "Pahoehoe", mais fluidas que arrefecem e consolidam mais lentamente.

"Os fluxos de lavas são bastante extensos, ultrapassando em muito os quatro quilómetros e com uma espessura já de cinco metros", especificou, sublinhando não se poder fazer quaisquer previsões dado a instabilidade existente.

"Ao contrário de 1995, em que houve processos muito mais lentos, pois decorreram ao longo de dois meses, a erupção de domingo é muito mais violenta, porque se iniciou com explosões também violentas de fluxos de lava.

Na zona, a Lusa pode observar alguns jovens tristes, desanimados e com lágrimas nos olhos, carregando poucos pertences das suas casas em Chã das Caldeiras e a serem apoiados por elementos da Cruz Vermelha cabo-verdiana.

Uns a pé, que rapidamente apanham, depois, boleia, outros em carrinhas de caixa aberta, com o essencial dos pertences, seguem para vários destinos no norte e oeste da ilha, para casa de familiares ou de amigos.

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