Equipamentos desportivos fechados e população com dúvidas devido à Legionella

Equipamentos desportivos fechados e população com dúvidas devido à Legionella

 

Lusa/AO online   Nacional   10 de Nov de 2014, 10:54

Os moradores das freguesias de Vila Franca de Xira mais afetadas pelo surto de 'legionella' tiveram esta segunda-feira os equipamentos desportivos encerrados e as aulas de Educação Física suspensas, além de continuarem com muitas dúvidas acerca dos cuidados a tomar.

 

A Câmara de Vila Franca de Xira decretou domingo, por recomendação da Direção-Geral de Saúde (DGS), o encerramento provisório dos equipamentos desportivos das freguesias de Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e de Vialonga, as que registaram mais casos de surto da ‘legionella’.

Foram ainda suspensas as aulas de Educação Física nas escolas e desligados os sistemas de rega e as fontes ornamentais.

Esta manhã, à porta da escola básica de Vialonga, vários alunos brincavam no recreio à hora em que teriam uma aula de Educação Física.

Uma funcionária do estabelecimento escolar, que não se quis identificar, disse que alguns professores de Educação Física optaram por dar uma aula teórica mais curta.

Em declarações à agência Lusa, à porta do estabelecimento escolar, o presidente da junta de freguesia de Vialonga, José Gomes, afirmou que “tudo está a funcionar como previsto”, embora o sentimento da população ainda seja de “muita preocupação”.

“Existe um sentimento de medo e receio, mas as indicações que tenho da Câmara [de Vila Franca de Xira] é que caminhamos para que as coisas fiquem normalizadas”, apontou o autarca.

Num dos cafés da freguesia, as medidas de proteção passam pela utilização de uma máscara para evitar o vapor das máquinas de café.

Tânia Santos, uma das funcionárias do café, explicou à Lusa que terá esse procedimento até que a fonte do surto seja identificada.

“Mais vale prevenir do que remediar. A situação está muito preocupante, porque ainda não existem soluções”, lamentou.

Na união de freguesias da Póvoa de Santa Iria da Azóia e do Forte da Casa o sentimento geral dos moradores, ouvidos pela Lusa, era igualmente de “preocupação e medo”.

Mário Carvalho, que tinha ido fazer compras ao centro comercial Serra Nova, disse que a situação está “a ser chata” porque não sabem bem quais as medidas de prevenção que devem tomar.

“Sigo os conselhos que disseram na televisão. Tomo banho, mas não bebo água da torneira", contou.

José Ferreira referiu que não tem “qualquer receio” e que continua a fazer a sua vida “normalmente”.

“Tomo banho normalmente. Não bebo água da torneira, mas não é devido a este problema”, afirmou.

À entrada das piscinas municipais da Póvoa de Santa Iria, um papel informava os utilizadores de que, por recomendação da DGS, e “de forma preventiva, até indicações em contrário, aquele equipamento estaria encerrado”.

A medida não apanhou de surpresa utilizadores do espaço, como Maria Pinheiro, que disse à Lusa compreender a decisão da autarquia.

“Já calculava que estivesse encerrada. Penso que seja uma medida bem tomada”, apontou.

No mesmo sentido, o presidente da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, Jorge Ribeiro, afirmou que as pessoas estão preocupadas, mas que, “de uma forma geral”, compreendem as medidas que foram tomadas.

“As pessoas sabem que aquilo que está em causa é o interesse público e a saúde pública”, argumentou.

O diretor-geral da Saúde, Francisco George, revelou hoje que foram identificados casos de Doença do Legionário em várias regiões do país, como Castelo Branco, Barreiro e Porto, todos eles com "ligações claras" a Vila Franca de Xira.

De acordo com Francisco George, estes casos têm todos ligações "temporais e espaciais" a Vila Franca de Xira, região onde foi identificado um surto causado pela bactéria 'legionella', que provoca pneumonias graves e pode ser mortal.

No início da noite de domingo, Francisco George revelou que o surto de ‘legionella’ já tinha causado 160 infeções e quatro mortes.



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