Ensino de português no Canadá funciona bem apesar dos cortes


 

Lusa/AO Online   Nacional   6 de Dez de 2014, 11:05

Apesar da redução dos apoios ao ensino da língua portuguesa no estrangeiro, a Coordenação do Ensino do Português no Canadá tem conseguido "fazer mais do que estava a ser feito", na altura "com mais dinheiro", afirmou a coordenadora.

Em entrevista à agência Lusa, Ana Paula Ribeiro reconheceu que "há cortes que se têm verificado em muitas áreas", e o ensino do português no estrangeiro "não foi exceção", embora "esses cortes não tenham impedido o bom funcionamento da Coordenação de Ensino".

"É necessário proceder a uma racionalização do orçamento e aproveitamento de sinergias. Isso tem sido feito e, de facto, temos vindo a conseguir atingir os nossos objetivos. Há sempre formas de conseguir ultrapassar essas dificuldades", afirmou a coordenadora do Ensino do Português no Canadá. 

Segundo aquela responsável, quando chegou ao Canadá, em outubro de 2010, "não havia praticamente nenhum contacto com as Direções Escolares canadianas" e, neste momento, "existe uma colaboração bastante intensa com as instituições canadianas de ensino público". 

"É extremamente importante essa colaboração, porque em seis mil alunos que sabemos que estão a estudar o português no Canadá, cerca de quatro mil estão a fazê-lo em programas oferecidos pelas diferentes direções escolares, especialmente no Ontário”.

Esta situação, acrescentou, levou a que a Coordenação do Ensino “estabelecesse esses contactos e negociasse a assinatura de memorandos de entendimento que fortalecem o empenho de ambos os lados na preservação e na qualidade do ensino de português nas escolas públicas".

Ana Paula Ribeiro destacou a importância da mudança de abordagem no ensino do português "como segunda língua e, em muitos casos, como língua estrangeira", destinado a crianças lusodescendentes de segunda e terceira geração que já "não têm o português como língua materna".

"Há muitas crianças, principalmente no ensino integrado de português nas escolas das duas direções escolares de Toronto, que estudam a língua, embora não tenham qualquer tipo de ligação com Portugal ou outro país lusófono", disse.

"Tem havido um  grande investimento na formação de professores, na certificação das aprendizagens, que muito contribui para a credibilização do ensino de português, na oferta de manuais atuais, num sistema de reutilização, a praticamente todos os alunos que estudam português no Canadá e no incentivo à leitura. Todos os anos a Coordenação tem trazido uma escritora infanto-juvenil que visita escolas públicas, privadas e comunitárias de Toronto, numa iniciativa de promoção da leitura que tem tido excelentes resultados", acrescentou Ana Paula Ribeiro.

A nível do ensino de português nas universidades, o instituto Camões tem docentes em Toronto, York, Otava e Montreal, embora outras universidades ofereçam o ensino da língua portuguesa como cursos opcionais.

"Têm sido feitos alguns contactos com universidades com vista a aumentar a presença da língua portuguesa a nível universitário. Fruto desses contactos e com o apoio financeiro da comunidade portuguesa da cidade de Kingston, a Universidade de Queen's oferece, desde 2013, um curso de língua e cultura portuguesa, estando a ser negociado um protocolo entre a universidade e o Camões para que ambas as instituições contribuam também para a manutenção e alargamento deste curso", acrescentou a coordenadora.

Em termos de futuro, Ana Paula Ribeiro pretende dar "continuidade ao trabalho que tem vindo a ser feito" no segundo maior país do mundo em termos de dimensão geográfica.



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