Engenho de debulha de meados do século XIX domina atenções no Museu do Trigo

Engenho de debulha de meados do século XIX domina atenções no Museu do Trigo

 

Lusa / AO online   Regional   8 de Ago de 2010, 12:53

Um antigo engenho de trigo do século XIX abre diariamente as portas na Povoação, em S. Miguel, Açores, transformado num museu etnográfico onde funcionam máquinas originais com mais de 100 anos que despertam a curiosidade dos visitantes.

O Museu do Trigo, localizado na Lomba do Alcaide, funciona como espaço museológico etnográfico desde julho de 2004 para “manter viva a tradição do cultivo do trigo”, afirmou Marília Vieira, coordenadora do museu, em declarações à Lusa.

A principal atração do museu é o engenho de debulha do trigo datado de 1854, reabilitado depois de a autarquia ter adquirido o espaço, em 1995.

O concelho da Povoação, na costa sul de S. Miguel, que já foi conhecido como o 'celeiro' desta ilha açoriana, "teve uma grande tradição na produção de cereais, mas com o passar dos tempos a pecuária foi ocupando os terrenos”, salientou Marília Vieira.

Para preservar a memória daquela tradição, “o único museu etnográfico de trigo na ilha de S. Miguel” abriu em 2004 num edifício que preserva a traça original de pedra típica da Povoação, mantendo em funcionamento a maquinaria antiga, nomeadamente algumas peças com mais de 100 anos.

Uma debulhadora original, que servia para a extração da palha, e uma tarara, para separar o trigo da pragana (casca que reveste o grão do trigo), instaladas na primeira sala do museu, despertam a curiosidade dos visitantes.

"São peças que se supõe terem mais de 100 anos e que têm como força motriz a água da ribeira”, frisou Marília Vieira.

Na mesma sala, os visitantes podem apreciar outros instrumentos, como três rodas, das quais duas ligadas por correias em pele de camelo, que também funcionam com a força da água, sendo a maior responsável pelo funcionamento da debulhadora.

Numa outra sala do museu, uma exposição permanente de painéis dá a conhecer as técnicas do cultivo, colheita e debulha do trigo, enquanto, num outro espaço, uma antiga sala de chá promove a venda de artesanato local.

“O museu pretende manter viva a tradição, a nossa história, mas também dinamizar o espaço”, salientou a coordenadora, acrescentando que recentemente começaram a ser desenvolvidas actividades como pintura ao ar livre, exposições e palestras.

No ano passado, o Museu do Trigo recebeu cerca de 2200 visitantes, mas em 2010 já passaram por este espaço 1300 pessoas.

O Museu do Trigo, propriedade da Câmara da Povoação, tem entrada gratuita e está aberto todos os dias.


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