Enfermeiros dos Açores organizam vigílias em três ilhas

Enfermeiros dos Açores organizam vigílias em três ilhas

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Set de 2017, 06:39

Os enfermeiros dos três hospitais dos Açores organizaram, esta noite, vigílias, reivindicando a melhoria de condições da profissão, em resposta à decisão do Governo de considerar irregular a greve que decorre até sexta-feira.


“Os não aderentes estão igualmente descontentes. Querem muito participar nesta greve e em todo este descontentamento. Somos todos um. Estamos todos a lutar pelo mesmo”, adiantou, em declarações aos jornalistas, Márcia Agostinho, enfermeira há 15 anos no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, explicando que uma grande parte dos enfermeiros teve “medo” de aderir à greve.

Esta sexta-feira termina uma greve nacional de cinco dias, mas tal como o Governo central, o Governo Regional dos Açores considerou a marcação da greve irregular, alegando que o pré-aviso não cumpriu os dez dias úteis que determina a lei.

“Temos o sindicato que convocou esta greve a dizer que é legítimo fazermos greve, no entanto, existem dúvidas relativamente ao pré-aviso da greve e a direção regional de Saúde emitiu um comunicado a dizer que a nossa greve não era regular, pelo que uma maioria optou por não aderir à greve”, explicou Márcia Agostinho.

Os enfermeiros que aderirem à greve podem ter faltas injustificadas e temem que a acumulação de cinco dê direito a despedimento.

“Temos medo das faltas injustificadas. Não queremos isso no nosso currículo”, frisou a enfermeira.

Em frente ao Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, concentrou-se cerca de uma centena de pessoas vestidas de preto, com velas que escreviam a palavra “basta”.

“Estamos todos de luto e o luto é pela enfermagem e pelos nossos direitos”, disse, em declarações aos jornalistas, Paula Pacheco, também enfermeira há 15 anos na unidade de saúde.

Os enfermeiros reivindicam a introdução da categoria de especialista na carreira de enfermagem, com respetivo aumento salarial, e a aplicação do regime das 35 horas de trabalho para todos.

Para Márcia Agostinho, o facto de se terem reunido cerca de 100 pessoas à porta de um hospital, que conta com perto de 200 profissionais, prova o descontentamento e a união da classe.

“Isto é um sinal de que já basta. Estamos para o que der e vier. Vamos assegurar sempre a qualidade dos nossos cuidados, mas nós somos uma classe muito saturada”, salientou.

Também junto aos hospitais de Ponta Delgada e Horta se reuniram enfermeiros em vigílias e para esta sexta-feira estão previstas manifestações à mesma hora nas três cidades.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.