Enfermeiros dizem que há má gestão dos tempos nos blocos operatórios nos Açores

Enfermeiros dizem que há má gestão dos tempos nos blocos operatórios nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   4 de Jul de 2014, 06:59

O presidente da secção regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Tiago Lopes, considerou hoje que os tempos cirúrgicos não são bem geridos nos Açores.

"Essa é uma questão que tem de ser colocada a quem de direito, quem faz essa gestão e porque não a faz da melhor forma, o que está por detrás disso", afirmou Tiago Lopes, à margem da apresentação de uma aplicação informática, desenvolvida por um enfermeiro, que pretende otimizar recursos nos blocos operatórios.

O representante da Ordem dos Enfermeiros nos Açores considera que as políticas de combate às listas de espera cirúrgicas na região não têm surtido efeito e reclama "políticas efetivas" para combater aquilo que considera ser um "flagelo".

"Já se tentou por várias vezes, foram os vales de saúde, foram os incentivos de combate às listas de espera cirúrgicas que não trouxeram os resultados que se pretendiam. No continente também temos experiências nesse sentido, mas há um aperto maior junto das unidades de saúde para fazer uma melhor gestão. A nível regional, as coisas parece que vão andando um bocadinho à bolina e não se implementam políticas efetivas para combater esse flagelo", sublinhou.

Tiago Lopes lamentou ainda que nos Açores, ao contrário do que acontece no continente, não se consiga "aceder à atividade assistencial nas unidades de saúde", não havendo dados concretos acerca dos números de pacientes em listas de espera para cirurgia.

"O senhor secretário regional da Saúde diz que são cerca de nove mil na Região, os partidos políticos dizem que são mais e andam aqui no jogo do empurra sem trazer nada de concreto para quem efetivamente até está interessado em fazer algo positivo para a população açoriana como são os enfermeiros", acusou.

Tiago Lopes falava na sede da OE nos Açores, depois de Luís Furtado, um enfermeiro que aliou um MBA e mestrado em Gestão ao trabalho no bloco operatório no hospital de Ponta Delgada, ter apresentado uma nova aplicação informática que pretende diminuir a diferença entre o tempo previsto e o realmente utlizado nas cirurgias.

"Esta ferramenta vai permitir identificar focos de ineficiência, áreas onde é possível rentabilizar melhor o tempo operatório visto que o tempo é o recurso mais escasso em bloco operatório", afirmou.

Mais do que diminuir as listas de espera cirúrgicas a curto prazo, a aplicação pretende, segundo o seu criador, fazer uma avaliação global do funcionamento do bloco operatório, percebendo "o que se faz de bem e o que se faz de menos bem no que diz respeito à gestão de tempo no bloco e atuar sobre isso".

A ideia já foi apresentada ao hospital de Ponta Delgada e à Secretaria Regional da Saúde, onde houve "abertura e reconhecimento".

O projeto está em fase de programação e a aplicação deverá estar pronta dentro de poucos meses para fase de testes.

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