Empresários voltam a defender obras no porto de Ponta Delgada

 Empresários voltam a defender obras no porto de Ponta Delgada

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Dez de 2015, 14:32

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) defendeu hoje obras de remodelação no porto da maior cidade dos Açores, cuja cabeça do molhe foi destruída na segunda-feira pelo mau tempo.

“Infelizmente, a tempestade desta segunda-feira veio sublinhar a nossa preocupação com as condições do porto de Ponta Delgada”, afirmou Mário Fortuna em declarações à Lusa, acrescentando recear que, “se houver uma nova tempestade, os danos comprometam definitivamente a operacionalidade” da infraestrutura portuária, que já está “obsoleta e decrépita”.

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, disse na segunda-feira que a cabeça do molhe do porto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, foi danificada devido ao mau tempo que assolou o arquipélago.

Para Mário Fortuna, que representa os empresários das ilhas de São Miguel e Santa Maria, “é tempo de ser retomado o projeto do novo cais no porto de Ponta Delgada, algo que já foi estudado no início do século”, recordando que “a funcionalidade da carga neste porto não é mexida há mais de um século”.

Segundo o empresário, o porto de Ponta Delgada evidencia “fragilidades já anteriormente apontadas” pela CCIPD, pelo que é “um imperativo e uma urgência encontrar uma solução” para esta infraestrutura portuária que movimenta “o maior volume de carga” que chega ao arquipélago dos Açores.

O porto de Ponta Delgada foi construído no século XIX por iniciativa de um grupo de comerciantes da ilha de São Miguel, sendo uma infraestrutura que sofreu, ao longo dos anos, “apenas pequenas intervenções”.

Há muito tempo que a CCIPD, pela voz de Mário Fortuna, defende a ampliação ou a construção de um novo porto para Ponta Delgada face aos constrangimentos dos granéis, mas também em relação ao futuro abastecimento de gás.

O presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, já declarou que esta questão não está nas prioridades do seu executivo.

O Plano e Orçamento dos Açores para 2016, aprovado no parlamento regional em novembro, contempla investimentos de 666 mil euros no porto de Ponta Delgada, um valor que fica aquém das expectativas da CCIPD, comparativamente com investimentos previstos para outros portos em ilhas de menor dimensão.

“O Governo Regional devia rever o Plano e Orçamento para 2016, relativamente ao valor dos investimentos previstos para o porto de Ponta Delgada”, defendeu Mário Fortuna, frisando que “a gritante falta de investimento no porto ameaça a operacionalidade e a própria sustentabilidade”.

Em concreto, a CCIPD reivindica o reforço do manto de proteção do molhe, o reperfilamento do cais dez e a reabilitação do terrapleno, entre outros aspetos.

A empresa pública que gere os portos nos Açores informou, em comunicado, na segunda-feira, que diversos portos do arquipélago sofreram “intensos galgamentos pelo mar muito alteroso que se fez sentir” e, pelo diagnóstico que foi efetuado, a situação mais gravosa foi no porto de Ponta Delgada, com “danos junto à cabeça do molhe, onde ocorreu o derrube de parte do muro cortina”.

“Foram também registadas inundações no edifício de exploração do porto de Ponta Delgada e há outros pequenos derrubes no coroamento do muro cortina, numa extensão ainda por avaliar”, adiantou na segunda-feira a Portos do Açores.


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