Empresários exigem medidas para fazer face à greve de estivadores

Empresários exigem medidas para fazer face à greve de estivadores

 

Lusa/AO online   Regional   28 de Abr de 2016, 18:45

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) defendeu a requisição civil ou o recurso aos serviços mínimos para combater o impacto que a greve da estiva está a causar nos Açores.

 

"É evidente que, face a uma greve desta natureza, e sendo que grande parte do comércio dos Açores é com a zona de Lisboa, este novo anúncio [de prolongamento da greve] é gravíssimo para a economia dos Açores. É tão grave que suscita que as autoridades tomem medidas para acionar os mecanismos necessários para suprir todos os transtornos que esta situação gera", declarou à agência Lusa Mário Fortuna.

O Sindicato dos Estivadores emitiu hoje um novo pré-aviso de greve para o porto de Lisboa, com incidência nos portos de Setúbal e da Figueira da Foz, que prolonga a paralisação até ao dia 27 de maio.

A greve tem sido prolongada através de sucessivos pré-avisos, devido à falta de entendimento entre estivadores e operadores portuários sobre o novo contrato coletivo de trabalho.

O líder do tecido empresarial de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, referiu que os efeitos nefastos se fazem sentir a nível das mercadorias e das matérias-primas, que são importadas, bem como ao nível dos produtos e das matérias que são exportadas da região.

"Não é concebível que uma região como os Açores, insular, que não tem uma alternativa razoável ao transporte marítimo, esteja prisioneira de uma situação dessa natureza", declarou o responsável pela CCIPD, que acentuou a necessidade de se assegurar o normal funcionamento da economia.

Mário Fortuna, que especificou que não existem alternativas ao transporte marítimo nos Açores, como acontece no continente, disse que esta situação é "injusta e inaceitável", manifestando-se contra o "bloqueio" que resulta do prolongamento da paralisação da estiva.

O empresário referiu que não é possível quantificar os impactos financeiros da greve, mas exemplificou que um contentor que tenha que ser encaminhado para o norte do país para chegar aos Açores tem um custo acrescido de 700 euros, duplicando-se, assim, o seu preço.

O economista acentuou que se a carga marítima tiver que seguir por via aérea para a região "também tem um custo muito significativo", sendo que a disponibilidade de carga dos aviões "é insuficiente" numa situação extraordinária como esta.

Os estivadores vão fazer greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, recusam trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriados.

Sindicato e operadores estavam a negociar um acordo coletivo de trabalho desde janeiro, mas as negociações foram suspensas no início de abril apesar de existir consenso em várias matérias, segundo o Governo, que mediou este conflito.

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