Empresários da ilha Terceira queixam-se de atrasos nas encomendas dos CTT

Empresários da ilha Terceira queixam-se de atrasos nas encomendas dos CTT

 

LUSA/AO online   Economia   31 de Mai de 2017, 17:00

A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) e o Conselho de Ilha da Terceira, nos Açores, criticaram hoje os atrasos nas encomendas dos CTT para a ilha, alegando que têm provocado prejuízos avultados aos empresários

"Nem há 20 anos víamos atrasos destes. Uma encomenda vinha de Itália, que nem devia estar sujeita a taxas alfandegárias porque vem de um país do espaço comunitário, levou cinco ou seis dias a chegar aos Açores e um mês para ser libertada na alfândega", disse, em declarações à Lusa, Arlindo Teles, vice-presidente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo.

Segundo o empresário, também os envios interilhas têm sofrido atrasos, dando o exemplo de uma encomenda da Terceira para a Graciosa que demorou 15 dias, supostamente porque seguiu primeiro para São Miguel e só desta ilha foi enviada para a Graciosa.

Arlindo Teles salientou que os atrasos na receção das encomendas colocam os empresários da ilha Terceira em desvantagem competitiva com os de outras ilhas, que conseguem colocar os produtos vindos do estrangeiro mais depressa no mercado.

Segundo o presidente do Conselho de Ilha da Terceira, Álamo Meneses, um dos motivos que poderá estar na origem dos atrasos é o fecho dos serviços de desalfandegamento nos CTT de Angra do Heroísmo.

"As encomendas vindas do exterior, em vez de virem diretamente para a Terceira param na Horta ou em Ponta Delgada e chegam com atraso. Há histórias de encomendas que demoraram duas a três semanas a chegar", apontou.

O Conselho de Ilha da Terceira, órgão consultivo que integra autarquias, sindicatos e associações, onde se inclui a CCAH, decidiu solicitar reuniões aos CTT, à Autoridade Tributária e à Autoridade Nacional de Comunicações para pedir esclarecimentos sobre estes atrasos que se têm agravado "nos últimos 16 meses".

"Tendo em conta a localização geográfica das ilhas dos Açores, o eficiente funcionamento dos transportes, incluindo o correio, é fundamental para a competitividade das empresas e para o normal funcionamento das instituições”, refere a missiva do Conselho de Ilha a que a Lusa teve acesso.

No documento, esta entidade salienta que “os atrasos recorrentes colocam em causa” o tecido empresarial e “provocam elevados prejuízos na ordem dos milhares de euros na economia regional".

Na mesma missiva, o Conselho de Ilha reivindica que sejam tomadas as diligências necessárias para que os prazos de entrega das encomendas sejam cumpridos.

Contactada pela Lusa, fonte dos CTT justificou os atrasos com a "drástica diminuição da capacidade de transporte das companhias aéreas, o que se agravou a partir do momento em que a obrigatoriedade de colocação de aeronaves de maior capacidade deixou de ser uma obrigação de serviço público", com a liberalização do espaço aéreo.

"Para resolver este problema, o tema da criação de um cargueiro para transporte de carga e correio mantém-se em aberto quer pelo Governo Regional, quer pelo Governo central, e aguarda-se o desfecho do último concurso sobre esta operação, sendo que os dois últimos concursos não obtiveram interessados", adiantou a mesma fonte.

Quanto ao serviço de desalfandegamento de Angra do Heroísmo, os CTT dizem que foi descontinuado em fevereiro de 2015, mas que a atividade é assegurada em Ponta Delgada "sem qualquer perda de tempos".


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