Empresários açorianos queixam-se de perda de facilidades de crédito no Santander Totta

Empresários açorianos queixam-se de perda de facilidades de crédito no Santander Totta

 

Lusa/AO Online   Regional   27 de Jan de 2017, 18:19

O presidente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), Sandro Paim, acusou hoje o Santander Totta de encerrar contas correntes caucionadas de dezenas de empresários açorianos, alertando que a medida provocará graves problemas de tesouraria.

"Na sequência da integração do Banif no Santander Totta, estão a extinguir-se contas correntes caucionadas de um momento para o outro, sem que haja qualquer incumprimento dos empresários", afirmou Sandro Paim.

Segundo o responsável, à Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, que representa empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, já chegaram cerca de uma dezena de queixas, mas haverá mais empresários na mesma situação.

O banco deu um ultimato até ao final do mês para que os empresários encerrem as contas correntes caucionadas, uma modalidade em que é atribuído um limite de crédito, que pode ser utilizado de acordo com as necessidades de tesouraria da empresa, sem qualquer plano de amortizações definido.

De acordo com o presidente da CCAH, a entidade bancária sugeriu como alternativa a contração de empréstimos de longo prazo com taxas de juro "perfeitamente estranguladoras".

"Corremos o risco de haver um conjunto de empresários muito asfixiados e com problemas de tesouraria", salientou.

O presidente da associação empresarial considerou ainda que a entidade bancária "não está a desempenhar um papel de alavancar a economia regional", num momento em que já se começa a assistir a uma retoma e existem vários incentivos ao investimento disponíveis.

Para Sandro Paim, os Açores necessitam de mais bancos de proximidade para que haja um maior crescimento económico, investimento e capacidade de criar emprego.

"O valor de crédito concedido a empresas e particulares decresceu 30% nos últimos seis anos. São muitas centenas de milhões de euros que deixaram de circular nos Açores", frisou.

Contactada pela Lusa, fonte do Santander Totta disse que o banco está "a acompanhar as situações referidas" e tem "a preocupação de propor sempre soluções de reestruturação que permitam fazer face às situações colocadas".

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo.

O Banif era o sétimo maior grupo bancário português e líder de mercado nos Açores e na Madeira.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.