Empresário português recebe prémio "American Dream" nos EUA


 

Lusa/AO Online   Regional   12 de Dez de 2014, 05:25

O empresário Luís Pedroso recebeu o prémio "American Dream" do International Institute of New England e disse que a possibilidade de alguém realizar sonhos independentemente das suas origens "é a diferença fundamental entre os Estados Unidos e outras parte do mundo".

 

"O sonho americano é a convicção de que, com trabalho árduo, dedicação e determinação, qualquer pessoa pode atingir o seu sonho neste país, independentemente das suas raízes ou do lugar de onde vêem. Esta é a diferença fundamental entre a América e outras partes do mundo", disse o português de 54 anos no seu discurso.

O International Institute of New England é uma instituição que presta apoio a imigrantes e refugiados nos estados da Nova Inglaterra desde 1918 e esta foi a primeira vez que entregaram este prémio, que pretende distinguir "um indivíduo que personifica a ética de trabalho, engenho e generosidade que são marcas da experiência do emigrante."

Luís Pedroso contou que tinha perdido algum tempo a pensar no significado do sonho americano desde que fora anunciada a distinção.

"Enquanto pensava no que significava o sonho americano, surgiam sempre as palavras sucesso financeiro. Mas depois de alguma reflexão, percebi que sucesso financeiro é apenas um dos resultados de teres alcançado o teu sonho americano", explicou o português.

Luís Pedroso é o presidente e fundador da empresa Accutronics e um dos dois filantropos que permitiu a criação de um centro de estudos portugueses na Universidade de Massachusetts em Lowell.

O empresário disse à agência Lusa que a distinção "é um grande orgulho e uma enorme surpresa, porque a instituição tinha muitas pessoas que podia ter escolhido para dar o primeiro prémio."

Pedroso é original da freguesia da Ribeira da Areia, na ilha de São Jorge, nos Açores. Veio para os Estados Unidos com nove anos, acompanhado dos pais e três irmãos.

"Lembro-me de ser criança e ver muitas pessoas partir para os Estados Unidos. Quando os meus pais disseram que íamos também, esse foi o meu primeiro sonho americano. Pensei: 'Somos os próximos'. Partir para a América era um pensamento quase mágico", contou.

A família instalou-se na Califórnia, mas pouco tempo depois foi diagnosticada uma leucemia ao pai, que acabou por morrer. A família mudou-se então para Massachusetts e foi nessa altura que recorreu aos serviços do International Institute of New England.

Pedroso diz que o seu segundo sonho americano foi ter a própria empresa. Trabalhou durante três anos e meio numa empresa de componentes electrónicos, mas em 1984, com 24 anos, viu uma oportunidade no mercado e arriscou.

Fundou a Qualitronics, uma empresa que desenhava, testava, construía e vendia serviços de reparação de componentes electrónicos. Vendeu a empresa em 2000, quando tinha um volume de vendas anual de 25 milhões de dólares e cerca de 160 funcionários.

"Como imigrantes, somos diferentes. Durante muito tempo, sentes que não pertences ou que não estás seguro, que a qualquer momento podes perder tudo o que tens. Quando vendi a empresa, pela primeira vez na vida, senti que pertencia e que estava seguro", disse o empresário.

Quatro anos depois, tornou a arriscar e fundou com os irmãos a Accutronics, uma empresa na mesma área, de que é hoje presidente.

O empresário é ainda um dos filantropos que doou 850 mil dólares (660 mil euros) para fundar o Centro Pedroso-Saab para Estudos Portugueses e Culturais na Universidade de Massachusetts em 2013.

"Os Estados unidos são feitos de varias nacionalidades e étnias e cada um apoia a sua. Eu tenho muito orgulho em ser português, em pertencer a esta comunidade e senti que era meu dever ajudar a mostrar o nosso valor", disse o empresário.

Luís Pedroso diz que fez esta doação em nome dos pais, Hélio e Amélia Pedroso, como homenagem à sua coragem. A mãe, de 85 anos, ainda vive nos Estados Unidos e esteve presente na entrega do prémio.

O International Institute of New England foi criado perto do final da Primeira Guerra Mundial para dar apoio aos imigrantes que chegavam da Europa. Atualmente, continua a ajudar cerca de 1.500 famílias todos os anos em questões de saúde, educação, emprego e legalização.

 


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