Empordef avança com proposta para ceder Atlântida por preço "muito abaixo" de concurso

Empordef avança com proposta para ceder Atlântida por preço "muito abaixo" de concurso

 

Lusa/AO online   Regional   13 de Ago de 2012, 20:59

A Empordef vai propor ao Governo Regional dos Açores a cedência do ferryboat "Atlântida", em regime de frete, por um preço "muito abaixo" do concurso internacional aberto este mês pela Atlânticoline.

Segundo fonte daquela ‘holding’ pública, que tutela as indústrias de Defesa, a proposta formal seguirá dentro de dias por carta e visa reduzir os encargos que aquele navio representa para o Estado, depois de ter sido rejeitado em 2009 pelos Açores.

"Estamos em condições de disponibilizar o ‘Atlântida' aos Açores por valores muito mais baixos do que o anunciado no concurso internacional que foi lançado pela Atlânticoline para fretar dois navios", explicou a mesma fonte.

Contactada pela agência Lusa, fonte do Ministério da Defesa Nacional confirmou a intenção de apresentar esta proposta, mas sem adiantar mais pormenores.

Recorde-se que o concurso internacional lançado pelo Governo dos Açores prevê o fretamento de dois navios, entre 2013 e 2014, por 16,4 milhões de euros.

Entretanto, o deputado do PSD eleito por Viana do Castelo, Eduardo Teixeira, apelou, em declarações à agência Lusa, ao "entendimento" entre os dirigentes socialistas para aceitação desta proposta.

"Os dirigentes do PS, seja o presidente da Câmara, o líder distrital de Viana do Castelo e os responsáveis nacionais do partido devem sentar-se à mesma mesa com o Governo Regional dos Açores para analisar esta abertura que está ser feita pelo Governo", afirmou.

Para Eduardo Teixeira, trata-se de um assunto em que "todos devemos estar empenhados" e "a bem do país".

"O Governo está a demonstrar uma abertura importante para resolver um problema que já tem três anos. Espero que todos os restantes agentes façam o mesmo", disse ainda o deputado social-democrata.

Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) concluíram em 2009 a construção do ferryboat "Atlântida", avaliado em 50 milhões de euros, e apesar da rescisão do contrato, por decisão do Governo Regional dos Açores, a Empordef sempre admitiu que o destino do navio deveria ser aquele arquipélago.

Após rescindir o contrato com os ENVC por uma diferença de um nó na velocidade máxima do ferryboat, a Atlânticoline gastou 21 milhões de euros no fretamento de dois navios ao armador grego Hellenic Seaways para as ligações sazonais inter-ilhas, entre 2009 e 2012.

A 06 de agosto, a Atlânticoline - empresa pública dos Açores responsável pelas ligações marítimas inter-ilhas - lançou um concurso público internacional, de novo para o fretamento de dois navios para transporte de passageiros e viaturas, para as próximas operações, 2013 e 2014, com opção de prorrogação para 2015, por 16,4 milhões de euros.

O "Atlântida", há um ano atracado na Base Naval do Alfeite, tem capacidade para 750 passageiros e 140 viaturas e uma velocidade máxima de 16 nós.

Já o concurso agora aberto determina que um dos navios deve ter uma velocidade mínima de 28 nós, enquanto a do outro navio deve ser de 19 nós. A lotação mínima exigida é de 600 passageiros e 120 viaturas.

Recorde-se que em fevereiro deste ano o presidente da Empordef, Vicente Ferreira, chegou a deslocar-se à Presidência da República para "pedir a mediação" de Cavaco Silva no processo, depois de classificar a rescisão do contrato como resultado de um processo "muito confuso".

"A administração da Empordef não está convencida das circunstâncias, nem dos momentos, nem do suporte técnico que levou à decisão. É confuso, os relatórios são confusos, porque, é evidente, estas questões técnicas têm de se basear em certificações, e há entidades internacionais que as fazem", disse ainda Vicente Ferreira, numa recente audição na Comissão Parlamentar de Defesa.

Acrescentou que os dois navios - o "Atlântida" está pronto e parado há três anos e o "Anticiclone" não passou do início de construção - estão avaliados no seu conjunto em 71 milhões de euros e que a não concretização deste é grandemente responsável pela "ruína" dos ENVC e eventualmente, a prazo, da própria "holding" de indústrias de defesa do Estado.


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