Emigrantes pedem no santuário um país com trabalho para poderem regressar


 

Lusa/AO Online   Nacional   12 de Ago de 2014, 12:58

De velas nas mãos e na fila para as depositar no Santuário de Fátima, Manuel e Maria transportam, também, a esperança de verem um país com trabalho, de onde saíram há nove anos, ambos desempregados.

 

“O que queremos é um país melhor para regressar. É, com certeza, um dos pedidos que os emigrantes vêm fazer a Nossa Senhora de Fátima”, disse à agência Lusa Maria de Lurdes, de 44 anos, de Santa Maria da Feira, que refez a vida, com a família, dois filhos incluídos, na Suíça.

O marido Manuel António, de 47 anos, disse “não estar arrependido” da decisão, convicto de que não a tomaria se “isto melhorasse”.

Também para a Suíça partiram, há três anos, Maria Helena e Alberto Oliveira, de 54 e 56 anos respetivamente.

“A situação estava muito complicada. Não se recebia [os salários]”, justificou Maria Helena que faz “horas de limpeza”, enquanto o marido garantiu trabalho na construção civil.

No país natal ficaram os três filhos e dois netos e é esta “separação” o maior dos lamentos que Maria Helena faz, enquanto clama por “trabalho em Portugal para poder regressar”.

“Deixei o país depois de uma vida de trabalho de 40 anos, custa muito”, acrescentou Fernando Antunes, de 60 anos, de Vieira do Minho, que há “dois anos e dois meses” rumou a França, depois de ter fechado a empresa de construção civil e de ter deixado de acreditar em políticos.

A mulher, Conceição Antunes, de 55 anos, acompanhou-o, assim como a “dor” de ter deixado uma filha e três netos em Portugal, o que a emociona de imediato. O outro filho emigrou para a Suíça.

“Em Fátima, pedimos saúde e que nos ajude a suportar as saudades de Portugal”, adiantou Conceição Antunes, enquanto o marido, que trabalha agora em restauro, justifica a presença na peregrinação dos migrantes à Cova da Iria, que hoje começa, porque são as “vacances [férias]”, quando noutros anos a presença do casal no santuário era em maio.

Domingos Leal, de Vila da Feira, passou pela Suíça, Canadá, Venezuela e Alemanha quando aos 23 anos emigrou.

“Regressei há 14 e estou arrependido. Não fui de novo para fora porque tenho 64 anos”, disse o antigo emigrante de Vila da Feira, manifestando-se “revoltado” consigo por ter regressado a um “país de miséria” e onde, afinal, a “vida estabilizada” que pensava ter alcançado não se concretizou.

Céline Pinto, lusodescendente de 31 anos a residir em França, que acabara de completar a promessa no santuário, onde se deslocou, pela primeira vez a pé a partir de Leiria, até admitia, numa primeira análise, viver em Portugal.

“Mas se calhar teria de ir outra vez para França para procurar trabalho para as minhas filhas”, desabafou.

A peregrinação dos migrantes, presidida pelo bispo do Porto, é o ponto alto da 42.ª Semana Nacional de Migrações - este ano subordinada ao tema “Migrações, rumo a um mundo melhor” - que arrancou no domingo e termina uma semana mais tarde, no próximo dia 17.

Esta peregrinação, que tradicionalmente maior número de fiéis reúne na Cova da Iria, depois das de 13 de maio e de 13 de outubro, começa às 18:30, na Capelinha das Aparições.

 



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