Embaixadoras em Portugal criam uma associação para se apoiarem e debaterem ideias

Embaixadoras em Portugal criam uma associação para se apoiarem e debaterem ideias

 

AO/Lusa   Nacional   1 de Nov de 2014, 15:01

Conscientes de que o facto de serem simultaneamente diplomatas e mulheres apresenta desafios que não se colocam aos seus colegas masculinos, as embaixadoras colocadas em Portugal juntaram-se numa associação que pretende promover atividades sociais e palestras.

 

A iniciativa de criar a Associação de Embaixadoras em Portugal partiu da embaixadora paquistanesa, Leena Salim Moazzam, que se encontra em Portugal desde setembro.

A associação, recentemente criada, reúne 23 mulheres, de todos os continentes: Paquistão, Emirados Árabes Unidos, Cabo Verde, Moçambique, África do Sul, Nigéria, Timor-Leste, Austrália, Reino Unido, Finlândia, Irlanda, Suécia, Cuba, Panamá, Marrocos, Turquia, Letónia, Hungria, Tunísia, Argélia, Chipre, China (a atual embaixatriz é embaixadora) e Andorra (a embaixadora não reside em Portugal).

“As expectativas sobre o desempenho de uma mulher são as mesmas de um homem. Ninguém quer saber se és mãe e se a tua criança está doente ou não. Podem compreender e ajudar, mas, no final, o trabalho não deve ser prejudicado”, afirmou à Lusa a diplomata paquistanesa, numa entrevista à agência Lusa, em que se fez acompanhar pela mãe e por uma das filhas.

Uma mulher “tem de desempenhar múltiplas tarefas ao mesmo tempo”, disse, exemplificando: “Ela está no seu emprego, mas ao mesmo tempo está a pensar nos filhos, se eles estão bem, se comeram, ao passo que um homem pode estar no escritório até às dez da noite ou meia-noite sem se preocupar, porque sabe que a mulher está a tratar de tudo”.

O cérebro feminino “funciona de forma diferente” do dos homens, porque a mulher “tem de gerir ao mesmo tempo três ou quatro coisas”.

Independentemente do cargo profissional que a mulher ocupe, é sempre “ela quem carrega a criança e quem dá à luz, é a Natureza”, defendeu.

“Então, não é positivo que as senhoras que estão aqui se possam juntar e ajudar-se mutuamente com as situações, mas também com Portugal e os seus próprios países?”, questionou, referindo: “Nós conseguimos compreender os nossos problemas de outra forma e podemos ajudar-nos umas às outras”.

O objetivo da associação é realizar atividades sociais, algumas com as respetivas famílias, como um piquenique, um passeio ou um grupo de caminhadas, além de atividades profissionais, como encontros com a participação de oradores.

A embaixadora paquistanesa acredita que desde o final do século XX, as mulheres, cerca de metade da população mundial, “estão a começar a destacar-se, seja na medicina, nas engenharias, na informática, na diplomacia”.

“Ao longo dos séculos, têm sido os homens a tomar as decisões e a fazer o trabalho. As coisas estão a mudar, espero que seja para melhor”, considerou.


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