Embaixadora de Israel considera prematuro reconhecer Estado da Palestina


 

Lusa/AO online   Internacional   11 de Dez de 2014, 16:12

A embaixadora de Israel em Portugal considerou hoje ser prematuro o reconhecimento da Palestina como Estado, como o parlamento deverá recomendar esta sexta-feira ao Governo, e defendeu o regresso às negociações diretas entre os dois lados.

 

A Assembleia da República deverá aprovar na sexta-feira uma recomendação do PS, PSD e CDS-PP para que o Governo reconheça o Estado palestiniano, em coordenação com a União Europeia.

Para Israel, está em causa “um reconhecimento prematuro e, no fim, o resultado pode ser contra a paz”, advertiu a embaixadora Tzipora Rimon, em declarações à Lusa.

A diplomata israelita defendeu que “só através de negociações diretas entre Israel e os palestinianos” será possível “atingir este objetivo de paz, de um acordo, uma solução para dois Estados, com dois povos, com segurança e paz”, mas reconheceu que este “é um processo complexo, muito, muito difícil”.

A Suécia tornou-se, em outubro, o primeiro país da União Europeia (UE) a fazer o reconhecimento oficial da Palestina como Estado e, depois, os parlamentos francês, espanhol, inglês e irlandês aprovaram recomendações aos respetivos governos para que adotem a mesma posição.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, já declarou entretanto que a existência de um Estado palestiniano independente “é um objetivo e uma posição compartilhada” por toda a UE.

Israel tem transmitido “aos governos e parlamentos da Europa que hoje, neste momento muito sensível, [tal posição] não vai mudar nada no terreno e, pelo contrário, pode criar uma situação pior, com mais violência”, porque “vai encorajar os palestinianos a não chegar à mesa de negociações”, disse a embaixadora à Lusa.

Tzipora Rimon deixou um aviso: “Todos os países precisam de pensar muito bem antes de tomar esta decisão”.

Para alcançar a paz e a solução de dois Estados naquela região, é necessário “fazer isto diretamente e não através de fóruns internacionais ou declarações de governos ou parlamentos”, considerou, sublinhando que as negociações são agora mais precisas que nunca, “em especial neste momento quando se passam outras coisas no Médio Oriente”.

Tzipora Rimon afirmou que Israel está aberto a contributos da UE, da mesma forma que aceita o envolvimento de países da Liga Árabe, dos Estados Unidos, das Nações Unidas ou da Rússia, mas lembrou que isso não deve substituir negociações diretas.

O reconhecimento do Estado palestiniano, sublinhou, só será possível “depois das negociações”.

Questionada sobre o impacto nas relações entre Portugal e Israel do eventual reconhecimento pelo executivo português do Estado da Palestina, a diplomata disse estar em causa uma resolução do parlamento, mas não uma decisão do Governo.

“Vamos esperar”, afirmou, garantindo que mantém diálogo diplomático permanente com o Governo português.

Na proposta conjunta que será votada na sexta-feira, PS, PSD e CDS instam o Governo a “reconhecer, em coordenação com a União Europeia, o Estado da Palestina como um Estado independente e soberano, de acordo com os princípios estabelecidos pelo direito internacional” e a, “em conjunto com os seus parceiros da União Europeia e internacionais, continuar a promover o diálogo e a coexistência pacífica de dois Estados democráticos, Israel e Palestina, pois só através de negociações será possível garantir a segurança e a paz naquela região”.

PCP, Bloco de Esquerda e Verdes apresentam também recomendações para o reconhecimento do Estado palestiniano, mas afastam o envolvimento da União Europeia no processo.


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