Em Moçambique as bancas legais e ilegais juntam-se em harmonia


 

Lusa / AO online   Economia   25 de Abr de 2010, 13:31

Na cidade de Maputo, Moçambique, o caminho para a regularização da venda em mercados é algo que não preocupa nem as autoridades nem os vendedores, que se dividem entre os que possuem bancas legais e os que vendem em qualquer lugar.

Aos 62 anos, António Sitóe considera-se feliz, embora a sua barraca de reparação de eletrodomésticos esteja fora do pátio do informal “Mercado Janet”, nome da viúva de Eduardo Mondlane, fundador da FRELIMO, partido no poder em Moçambique.

Antigo servente no Hospital Central de Maputo, o primeiro e único emprego formal que teve após a independência do país, há 35 anos, António Sitoe muito cedo decidiu abandonar a carreira na área de Saúde. Motivo: “perseguições” do seu superior hierárquico.

Mesmo antes de tirar o curso de “Rádio e Transístor” por correspondência em Portugal, António já ganhava o dobro do ordenado pago pelo Hospital Central de Maputo.

“Não gostei do meu chefe. Ele odiava-me, porque eu já fazia este trabalho (conserto de eletrodomésticos) e ganhava mais do que os 2300 escudos” que auferia no Hospital Central de Maputo, diz à Lusa.

Desde então, largou o emprego e a sua vida ganhou nova dinâmica. Assumiu o compromisso de recuperar os aparelhos elétricos. Obteve “bons resultados”: comprou uma “flat” no centro de Maputo, tornou-se chefe de família e hoje diz-se “estabilizado”.

Nem mesmo o facto de ser um dos vendedores sem banca oficial, os que estão fora do quintal do “Mercado Janet”, o atormenta. “Todos os dias pago 10 meticais de taxa ao município”, justifica à Lusa.

Em Moçambique, a separação entre o mercado formal e informal é, de resto, abismal. O comércio informal alberga a maior parte da população ativa: 29,3 por cento, enquanto o setor formal agrega seis por cento dos trabalhadores.

Em Maputo são raras as ruas onde não há alguém a vender alguma coisa, seja sentado no chão, com batatas, cebolas e cenouras ao lado, seja numa barraca improvisada a vender bolachas e cigarros, seja uma longa de fila de sapatos no passeio, uma esquina atravancada de artesanato, um homem carregando pelas ruas uma mesa para venda.

A capital moçambicana, Maputo, é das mais “informais” do país. Em quase todas as esquinas da cidade, a linha que separa os passeios dos mercados é ténue. Na baixa da cidade, onde estão situados os serviços fundamentais, os transeuntes e vendedores de rua, de todas as idades e de ambos os sexos, acotovelam-se desde cedo até ao anoitecer. Lá vende-se quase tudo: desde produtos originais aos falsificados de proveniência diversa.

Em declarações à Lusa, Lucas Ritsuri, 30 anos, aponta o “negócio diferente” que faz na rua 25 de setembro - pastas de pano e indumentárias para homens e mulheres feitas à base de capulana africana oriundas da Tanzânia.

Lucas Ritsuri, pai de quatro filhos, adquire as peças nas lojas de Maputo. Vende capulanas há mais de três anos, mas não tem uma banca formal. A sua montra móvel localiza-se num dos passeios na baixa de Maputo.


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