Eleitores preferem competência a reputação de caráter

Eleitores preferem competência a reputação de caráter

 

Lusa/AO online   Nacional   25 de Set de 2014, 10:51

O investigador da Universidade de Coimbra Bruno Paixão afirmou que as vitórias eleitorais de autarcas envolvidos em casos judiciais se devem, em parte, ao facto de os eleitores "preferirem" políticos com reputação de competências a reputação de caráter.

"Muitas vezes, faz-se erradamente uma análise da reputação. Olha-se para a reputação como algo que tem a ver apenas com o caráter do sujeito político", mas há também a perceção que os indivíduos têm sobre "as competências" dos políticos, explicou.

Bruno Paixão, que é membro do projeto de investigação "Corrupção Política nos Media", dinamizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo, vai abordar hoje a questão da reputação de políticos na sua comunicação no Congresso Internacional em Comunicação Política e Estratégias de Campanha, em Santiago de Compostela, Espanha.

Se o eleitor tem a perceção de que o autarca "resolve problemas concretos da população e se os resolve melhor do que os outros", leva a que "a reputação de caráter perca terreno face ao terreno da competência", referiu, frisando que os eleitores portugueses "preferem a competência ao capital moral ou ético".

O investigador recordou o caso de Ademar de Barros, governador de São Paulo, que usou em campanha o lema "Rouba, mas faz".

O efeito de pragmatismo leva a que os cidadãos "prefiram ter a estrada alcatroada à sua porta", observou Bruno Paixão, salientando ainda que esta situação deve-se também a "uma questão cultural, enraizada nas sociedades" da Europa do Sul, como Espanha, Grécia, Itália ou Portugal.

Para além destas razões, pode-se ainda apontar para "um certo efeito de anestesia", conformismo e um sentimento de "impotência" por parte dos eleitores perante este tipo de situações.

O investigador recordou alguns casos portugueses, como Isaltino Morais, Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro, que, apesar de envolvidos em processos judiciais, venceram as eleições nas suas autarquias em 2005.


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