Eleições para a Ordem dos Médicos


 

Lusa/AO On Line   Nacional   13 de Dez de 2010, 05:48

Os quatro candidatos a bastonário dos médicos - Isabel Caixeiro, José Manuel Silva, Manuel Brito e Jaime Teixeira Mendes - apresentam propostas distintas para a Ordem, mas em comum têm a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e das carreiras médicas.

O bastonário que for eleito na quarta-feira para o triénio 2011/2014 substituirá Pedro Nunes e dirigirá uma Ordem em que estão inscritos mais de 40 mil médicos.

Isabel Caixeiro, que presidiu nos últimos seis anos à Secção Sul da Ordem dos Médicos (OM), quer “reposicionar os valores da medicina e dos médicos na sociedade em detrimento dos valores económicos que ultimamente têm estado mais em vigor”. Defende ainda carreiras para os médicos mais jovens e a sustentabilidade do SNS, com a OM a colaborar como “parceiro na definição de qual será a melhor maneira para que não sejam feitos cortes cegos que limitem a qualidade dos cuidados”.

Outra proposta desta especialista em medicina geral e familiar é a extinção da Entidade Reguladora da Saúde: "Não tem qualquer utilidade prática” e é “uma má utilização dos dinheiros públicos”, diz.

José Manuel Silva preside à Secção Centro há três anos e candidatou-se por considerar que é preciso “modernizar” a OM.

“Quero uma ordem muito mais interventiva, que seja um parceiro ativo na definição das políticas de saúde, que seja incómoda, que por cada crítica apresente uma proposta construtiva”, diz o professor da Faculdade de Medicina de Coimbra.

O especialista em medicina interna defende um organismo “rigorosamente independente, que se preocupe com o futuro dos médicos, sobretudo os mais jovens, e dos doentes e da qualidade da saúde e da formação pré e pós-graduada”.

“Uma Ordem que se preocupe com o futuro do SNS e o seu enquadramento no sistema nacional de saúde” e que se oponha à “abertura de mais faculdades de medicina”.

O médico diz que se esperam “tempos difíceis” e que a OM precisa de um “líder lúcido, afirmativo, incómodo, exigente, com qualidade e com um percurso profissional que confirme essa qualidade”.

Quanto a Manuel Brito candidata-se por estar “muito desiludido” com a “atitude e desempenho da OM nos últimos anos”.

O cirurgião propõe, assim, um novo ciclo com uma “matriz clara: a OM tem de defender essencialmente e de forma nuclear a medicina das boas práticas, mais humanizada e acessível a todos”.

A instituição, sublinha, tem de defender “um sistema de saúde ao qual todos os portugueses tenham acesso”. Para isso, tem de ser “estruturada, muito mais presente junto dos médicos e das instituições e respeitada pela sociedade e ouvida pelo poder político”.

“No momento que estamos a viver, de cortes na área da saúde, penso que a OM assume um protagonismo fundamental, para que os cortes não sejam cegos”, afirmou.

A candidatura do pediatra Jaime Teixeira Mendes defende a qualidade da medicina, a continuação da defesa das carreiras médicas na perspetiva técnico-científica e a defesa do SNS como “um garante de equidade, um pilar da saúde, e uma referência essencial na formação dos médicos”.

Jaime Mendes garante que a primeira medida que tomará como bastonário será promover uma auditoria externa às contas da Ordem. A segunda será a constituição de uma comissão alargada para a revisão dos estatutos.


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