Editor do poeta Pablo Neruda passa a contar com roteiro cultural nos Açores


 

Lusa/AO Online   Regional   1 de Set de 2016, 12:57

Carlos Nascimento, natural da ilha do Corvo e editor do poeta Pablo Neruda, que publicou mais de seis mil livros no Chile, conta a partir de hoje com um roteiro cultural criado pelo Governo Regional.

 

“Manuel Carlos Jorge do Nascimento é uma personagem fascinante ao ponto de, muito recentemente, o realizador açoriano Zeca Medeiros lhe ter dedicado uma produção cinematográfica, sendo reconhecida pelos Açores através da atribuição da insígnia autonómica de mérito, a título póstumo”, declarou à agência Lusa o secretário regional da Educação e Cultura dos Açores.

Avelino Menezes, que hoje presidiu na ilha do Corvo à sessão de lançamento do roteiro cultural dos Açores sobre Carlos Nascimento, referiu que, desde 2010, o parlamento regional tem vindo a sugerir a publicação de roteiros culturais, em formato de brochura desdobrável e edição bilingue, projeto que o Governo Regional tem vindo a materializar.

O titular da pasta da Cultura afirmou que os roteiros têm contemplado várias personalidades açorianas e resenhas históricas sobre elas, como foi o caso, entre outros, de Antero de Quental, Manuel de Arriaga, Dias de Melo, Francisco de Lacerda, Roberto de Mesquita e Raul Brandão, apesar de este último não ser de origem açoriana.

“A grandeza de Carlos Nascimento justificou que nós lhe dedicássemos um dos nossos roteiros culturais, que é apresentado em primeiro lugar na ilha onde nasceu”, afirmou Avelino Menezes.

Carlos Nascimento, que nasceu em 1885, abandonou a ilha do Corvo ainda jovem, acabando por se transformar numa referência das letras chilenas do século XX.

Chegou ao Chile em busca de um tio, João Nascimento, dono da livraria Nascimento, espaço que mais tarde herdou e usou como rampa de lançamento da sua editora, que viria a publicar as primeiras obras do Nobel da Literatura de 1971, Pablo Neruda, nomeadamente a edição original de "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada", publicada em 1924.

A relação entre Carlos Nascimento e Pablo Neruda foi mais do que profissional e prolongou-se “por muitos anos”, desde a juventude do poeta até à morte do editor, em Santiago do Chile, em 1966, segundo disse anteriormente à Lusa uma das netas do corvino, Leonor Nascimento, que vive atualmente em Itália.


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