Reconversão do Atlântida para cruzeiros de luxo começa segunda-feira

Reconversão do Atlântida para cruzeiros de luxo começa segunda-feira

 

Lusa/AO online   Economia   2 de Out de 2014, 16:39

Os trabalhos de preparação da reconversão do ferryboat Atlântida em navio de cruzeiro de luxo começam na segunda-feira nos estaleiros da West Sea, em Viana do Castelo, disse o comandante da frota da Douro Azul.

 

"A partir de segunda-feira vamos começar a trabalhar para o arranque da intervenção que se deverá começar dentro de um mês", afirmou aos jornalistas Hugo Bastos durante uma visita ao navio, após a chegada do navio, hoje de manhã, aos estaleiros da West Sea, em Viana do Castelo.

O navio, agora a décima sétima embarcação da frota do grupo Douro Azul, partiu da base naval do Alfeite, em Almada, às 04:00 da madrugada de quarta-feira e deu entrada na doca dos estaleiros da subconcessionária dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) esta quinta-feira pouco antes das 09:00 da manhã.

Fonte da West Sea afirmou que a entrada da embarcação representa uma "prova" os estaleiros de Viana do Castelo estão a "trabalhar em pleno".

Segundo a mesma fonte, com o Atlântida, a empresa tem atualmente quatro embarcações em reparação, entre elas, o NRP (Navio da República Portuguesa) Figueira da Foz. O segundo Navio de Patrulha Oceânica (NPO) da classe "Viana do Castelo" construído naqueles estaleiros está a ser sujeito a uma intervenção de "assistência pós-venda".

A fonte adiantou também que em novembro a West Sea, empresa criada pelo grupo Martifer para gerir a subconcessão dos ENVC, irá anunciar os primeiros contratos de construção naval.

De acordo com o comandante da frota da Douro Azul, a intervenção de reconversão, orçada em mais de seis milhões de euros, vai prolongar-se durante cerca de 11 meses e vai implicar uma "alteração total" do interior da embarcação.

"O que vai sobrar do Atlântida são as valências que estão boas. Tudo o que não serve para o nosso negócio vai ser desaparecer. O projeto de reconversão em cruzeiro de luxo está a ser ultimado", explicou Hugo Bastos.

Criticou ainda a "da falta de manutenção" a que esteve sujeito o navio durante os últimos três anos em que esteve atracado na base naval do Alfeite à espera de comprador.

"O que é estranho nisto tudo é que o navio nem tinha um certificado de flutuabilidade. Não sei como é que foi possível manter o navio neste estado. Mas deparamo-nos com isso e conseguimos trazê-lo a navegar", sublinhou.

A intervenção deverá estar concluída em outubro de 2015, mês em que a Douro Azul espera que o navio atravesse o Oceano Atlântico em direção ao Brasil, onde tem a sua primeira viagem comercial agendada para 02 de janeiro de 2016.

Anteriormente, o presidente da Douro Azul, Mário Ferreira afirmou que o Atlântida vai mudar de nome e será utilizado para fazer a ligação entre Manaus, no Brasil, e Iquitos, no Peru, com passagem pela Colômbia.

Mário Ferreira disse, na altura, que os preços ainda não estão fechados mas, no mínimo, cada passageiro terá de pagar 500 dólares diários, durante uma semana, tempo para completar os cerca de dois mil quilómetros da viagem.

Na ocasião afirmou também que o grupo tem a intenção de encomendar novos navios à West Sea, para a operação internacional e no rio Douro, que precisa ver melhoradas as infraestruturas.

O Atlântida deveria ter rendido 50 milhões de euros, mas os custos totais com a resolução do contrato com o Açores já custou cerca de 70 milhões de euros.

Da encomenda à rejeição pelos Açores, o negócio atravessou três administrações dos ENVC e ocorreu numa altura em que os dois governos, o da República e o dos Açores, eram socialistas. De um lado José Sócrates e do outro Carlos César.

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