Economistas esperam subida da Euribor no segundo semestre

Economistas esperam subida da Euribor no segundo semestre

 

Lusa / AO Online   Economia   2 de Jan de 2010, 06:48

O aumento progressivo das taxas Euribor é inevitável para os economistas contactados pela agência Lusa, mas a subida deverá ser ligeira e só deverá ter início em meados de 2010, devido à fragilidade da conjuntura económica.

"É natural que haja alguma subida nas taxas Euribor, mas um ponto positivo para as famílias e as empresas é que não devemos esperar uma subida significativa", antecipou à Lusa Carlos Andrade, economista-chefe do Banco Espírito Santo (BES).

As autoridades monetárias na Europa e nos Estados Unidos da América não têm grande espaço de manobra para subirem o preço do dinheiro, devido ao cenário de incertezas sobre a evolução da economia, disse Carlos Andrade, que por isso perspectivou que o Banco Central Europeu (BCE) e a Reserva Federal (Fed) sejam "muito pacientes".

"Não vejo que na primeira metade do ano possam subir as taxas directoras", sublinhou o economista-chefe do BES, reforçando que "se o fizerem, será só no final do ano".

Teresa Gil Pinheiro, economista do BPI, concorda que "a tendência das taxas Euribor em 2010 será de uma subida gradual", apontando para que tal aconteça a partir do "final do segundo trimestre".

"O BCE poderá iniciar a subida das taxas directoras no segundo semestre e é provável que as Euribor comecem a antecipar essa subida, mas nunca será uma subida enorme. Estimamos que as taxas directoras do BCE terminem 2010 nos 1,5 por cento, mais 0,5 por cento do que actualmente", frisou à Lusa a especialista.

Por seu turno, João Fernandes, economista da DECO - Associação de Defesa dos Consumidores, referiu que "a evolução das taxas Euribor estará sempre dependente da conjuntura. Há seis meses atrás pensava-se que por esta altura já podiam ter subido, mas a conjuntura não dá espaço para que isso aconteça. A tendência é que 2010 seja um ano difícil".

A situação económica não deixa que se aumentem os custos relacionados com o crédito, uma vez que "as empresas estão sem capacidade para investir e as famílias estão sem capacidade para consumir", salientou à Lusa João Fernandes.

"Mais cedo ou mais tarde, as taxas vão inevitavelmente subir, pelo que as famílias terão que se salvaguardar para essa inevitabilidade. Todos os créditos com taxa variável [indexada às Euribor] serão afectados, por isso, os portugueses que vão pedir crédito hoje devem saber que o seu custo vai subir no futuro", afirmou o economista da DECO.

Ana Paula Carvalho, economista do BPI, acredita que devido às expectativas de "crescimento económico a um ritmo muito lento, possivelmente, o desemprego tenderá a aumentar no próximo ano".

"A taxa de desemprego deverá exceder a fasquia de 10 por cento, por causa do fraco crescimento económico", mas a evolução será muito influenciada pela situação nos principais parceiros de Portugal, sublinhou Ana Paula Carvalho.

Carlos Andrade também aguarda "um nível elevado de desemprego em 2010", perspectivando ainda uma "subida contida da inflação", concluindo que o próximo ano pode ser favorável "para ajudar a corrigir os níveis de elevado endividamento das famílias e das empresas".


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