Eanes "esmaga" nos Açores em dia de eleição regional

Eanes "esmaga" nos Açores em dia de eleição regional

 

AO/Lusa   Regional   25 de Jun de 2016, 12:36

Os açorianos marcaram o início da sua autonomia com a eleição simultânea, há 40 anos, de um órgão próprio, a Assembleia Legislativa Regional, e do Presidente da República, dando ao general Ramalho Eanes uma vitória expressiva.

 

A 27 de junho de 1976, António Ramalho Eanes tornou-se o primeiro Presidente da República a ser eleito em democracia, com 61,59% dos votos dos portugueses, percentagem que foi ainda maior nos Açores, onde alcançou 71,1%, vencendo em todas as ilhas.

O segundo candidato presidencial mais votado no arquipélago foi José Pinheiro Azevedo, antigo primeiro-ministro, que obteve 22,4% dos votos, contra 4,2% de Octávio Pato, do PCP, e apenas 2,3% de Otelo Saraiva de Carvalho.

Mas as maiores atenções estavam centradas na vitória do PSD (na altura, PPD) nas eleições legislativas regionais desse mesmo dia, com os sociais-democratas a conseguirem 53,83% dos votos, elegendo 27 dos 43 mandatos em disputa, um cenário bem diferente do atual, em que o PS tem maioria absoluta.

O PSD/Açores, então liderado por João Bosco Mota Amaral, que foi presidente do Governo Regional durante 19 anos consecutivos, viria a ganhar cinco eleições regionais seguidas (1976, 1980, 1984, 1988 e 1992), sempre com maioria absoluta.

Os socialistas, cuja votação tinha oscilado entre os 24,23% (em 1984) e os 36,41% (em 1992), só conseguiram chegar ao poder na região em 1996 (com 45,82% dos votos), pela mão de Carlos César, antigo presidente do Governo Regional, atual presidente do PS e líder parlamentar na Assembleia da República, numa altura em que Mota Amaral já tinha abandonado a Região.

O PS tem governado o arquipélago ao longo dos últimos 20 anos, mas apenas por uma vez, em 2004, conseguiu mais de metade dos votos (56,97%), que permitiu aos socialistas formar o maior grupo parlamentar de sempre no parlamento açoriano (31 deputados).

O número de deputados na Assembleia Legislativa dos Açores tem vindo também a aumentar gradualmente, desde 1976, altura em que os açorianos elegeram 43 deputados, em representação de nove círculos eleitorais (um por cada ilha).

Nas eleições que se seguiram (em 1980 e 1984), o número de deputados manteve-se inalterado, até ter sido mudada a lei eleitoral no sentido de melhorar a representatividade e a proporcionalidade entre votos e mandatos, sobretudo nos maiores círculos eleitorais (São Miguel e Terceira).

Os açorianos passaram a eleger, a partir de 1988, entre 51 e 52 deputados (o número de mandatos varia consoante o número de inscritos), mas uma nova alteração à lei eleitoral, realizada antes de 2008, fez aumentar esse número para os atuais 57, através da criação de um círculo regional de compensação, a juntar aos nove círculos de ilha.

Por via da última alteração à lei eleitoral (que permite juntar os restos dos votos dos partidos em cada círculo de ilha), passaram a estar representados no parlamento açoriano seis forças políticas (PS, PSD, CDS, BE, PCP e PPM), mais três do que nas primeiras eleições, quando estavam apenas representados PS, PSD e CDS.

A abstenção, que começou nos 32,49%, em 1976, baixou para 22,98% em 1980, está agora acima dos 50% (53,34% em 2008 e 52,14% em 2012), o que revela que são mais aqueles que ficam em casa, do que aqueles que exercem o direito de voto.


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