Durão elogia Governo Sócrates, mas lembra méritos da sua Comissão de Bruxelas


 

Lusa / Ao online   Nacional   16 de Dez de 2007, 11:22

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, fez à Agência Lusa um "balanço extremamente positivo" da presidência portuguesa da União Europeia, considerando que ficou mais uma vez demonstrada a vocação de Portugal para "gerar consensos na Europa".

    "A (actual) presidência portuguesa alcançou todos os seus objectivos principais e estou também muito satisfeito pela contribuição que a Comissão Europeia deu para esses mesmos objectivos", afirmou José Manuel Durão Barroso, em declarações à Lusa.

    No balanço do semestre, prestes a terminar, o presidente do executivo comunitário destacou, entre os êxitos alcançados, a aprovação e a assinatura do Tratado europeu de Lisboa, a realização da II Cimeira UE-África e o lançamento da parceria estratégica com o Brasil, "para além de outros dossiers importantes que também avançaram".

    "Isso é muito bom para a UE, que conseguiu um progresso, e julgo que também é muito bom para o país, porque confirma que Portugal tem esta vocação de fazer consensos na Europa e julgo, por isso, que todos nós, portugueses, estamos de parabéns", afirmou Barroso.

    O ex-primeiro-ministro português e antigo líder do PSD disse estar "particularmente satisfeito" por Portugal voltar a deixar a sua marca no processo de construção europeia, durante a sua terceira presidência da UE desde que o país aderiu às então Comunidades Europeias, vulgarmente conhecidas pela sigla CEE, em 1986 (há 21 anos).

    "Como presidente da Comissão (Europeia), compete-me defender o interesse geral europeu. Mas não sou apátrida e com certeza que fico particularmente satisfeito quando são êxitos para Portugal", salientou, acrescentando ser sua convicção que "a imagem de Portugal saiu muito reforçada junto dos seus parceiros europeus e até fora da Europa".

    Relativamente ao seu relacionamento com o primeiro-ministro socialista, José Sócrates, durante o semestre, o antigo chefe de governo social-democrata comentou que, no plano europeu, "os campos políticos opostos não estão em causa", há um "mesmo objectivo" em prol da Europa e esse "é um consenso entre as principais forças políticas portuguesas".

    Sublinhando que procura sempre manter "excelentes relações com as diferentes presidências" e apontando como exemplo a colaboração estreita com a chanceler alemã Angela Merkel, no primeiro semestre do ano, Barroso admitiu que trabalhar com uma presidência portuguesa teve um sabor especial.

    "Com certeza que o facto de sermos portugueses me deu uma motivação adicional e, como o próprio primeiro-ministro reconheceu, foi muito importante e é muito útil que haja um português à frente da Comissão Europeia, do mesmo modo que eu digo que foi muito bom termos este trabalho conjunto", disse à Lusa.

    Quanto ao apoio expresso de Sócrates à sua continuidade à frente da Comissão Europeia depois de 2009, para um segundo mandato, Barroso manifestou-se "muito reconhecido e sensibilizado", mas reafirmou que esta não é altura para discutir esse cenário.

    "Estamos ainda a dois anos do fim do mandato, há muito trabalho a fazer e institucionalmente não seria sequer correcto estar a tomar posição neste momento. Dois anos em política, como se sabe, são uma eternidade. Vou fazer o mais bem possível aquilo que tenho a fazer e que gosto muito de fazer, e depois, mais tarde, falaremos sobre isso", prometeu Durão Barroso.
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