Dura, mas justa, May sucede a Cameron com "tipo diferente de Conservadorismo"

Dura, mas justa, May sucede a Cameron com "tipo diferente de Conservadorismo"

 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Jul de 2016, 18:03

A sucessora de David Cameron, Theresa May, chega ao poder com fama de ser dura, mas justa, desejando estabelecer um "tipo diferente de Conservadorismo" e a ambição de tornar o 'Brexit' num triunfo para o país.

 

Enquanto segunda mulher a ocupar as funções de primeira-ministra, as comparações com Margaret Thatcher são frequentes, até porque partilham alguns traços de personalidade, como a determinação levada ao extremo da obstinação, dizem alguns próximos.

"A Theresa é uma mulher extremamente difícil", garantiu, numa conversa gravada indiscretamente pela Sky News, o antigo ministro Kenneth Clarke, que trabalhou diretamente com a "Dama de Ferro".

Foi essa firmeza que fez de May, com 59 anos e desde 2010 ministra da Administração Interna, a que mais tempo ficou no cargo desde Henry Matthews em 1892, apesar da pressão da Federação da Polícia contra as medidas de austeridade aplicadas às forças de segurança.

É também essa qualidade que pretende levar para as negociações em Bruxelas para a saída britânica da União Europeia, para trazer "o melhor acordo possível" e fazer do ‘Brexit’ "um sucesso"

Referindo-se ao comentário de Clarke, May, citou a imprensa britânica, afirmou: "A próxima pessoa a descobrir isso será [o presidente da Comissão Europeia] Jean-Claude Juncker".

Mas o ‘Brexit’ não é a única prioridade. Num discurso na segunda-feira, May prometeu reformas sociais, combatendo desigualdades e discriminações, seja de classes, de etnia ou de género, e conduzir a economia para fora da incerteza que vive atualmente para um novo período de crescimento.

"Precisamos de uma nova visão positiva para o futuro do nosso país, uma visão de um país que beneficia não apenas uma minoria de privilegiados, mas que beneficia cada um de nós", vincou.

A recém-eleita líder do partido Conservador sabe ter também a missão de unir o país que ficou ainda mais dividido após o voto do referendo de 23 de junho, cujo resultado May considera que representou um "voto para uma mudança séria" no país.

May surpreendeu ao falar no reforço dos direitos dos consumidores, dos poderes dos trabalhadores nos conselhos de administração e da intervenção do governo para bloquear a compra de empresas britânicas por multinacionais que ponham em risco postos de trabalho.

"Este é um tipo de diferente de Conservadorismo, eu sei. Marca uma rutura com o passado", vincou.

Esta faceta identifica-se com outra das qualidades atribuídas a Theresa May, a de guiar-se por uma bússola moral que terá herdado do seu pai, um clérigo da Igreja Anglicana, motivando comparações com políticos como Gordon Brown ou Angela Merkel, também filhos de eclesiásticos.

Embora esteja há quase 20 anos em Westminster, é conhecida a sua distância das conspirações políticas apontadas a outros candidatos à liderança do partido Conservador que a prendam às diferentes alas dos "tories".

"O que faz de May enquanto primeira-ministra curiosamente imprevisível", escreveu Gaby Hinsliff, colunista do diário The Guardian, "é que ela sempre foi guiada menos por ideologia do que por moralidade, um sentido muito pessoal do certo ou errado".



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.