Duas centenas manifestam-se no Funchal pelo fim da "ditadura" na Venezuela

Duas centenas manifestam-se no Funchal pelo fim da "ditadura" na Venezuela

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   22 de Abr de 2017, 17:54

Duas centenas de pessoas manifestaram-se no Funchal, ilha da Madeira, contra a "ditadura" do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e pela realização de eleições livres na República Bolivariana da Venezuela.

 

Organizada pela "Venexos", grupo de venezuelanos residentes em Portugal, a concentração na Praça do Município, no Funchal, reuniu maioritariamente mulheres, entre luso-venezuelanos, venezuelanos e madeirenses, que entoaram palavras de ordem e expuseram através de cartazes o seu desagrado pela situação na Venezuela.

Foi também cumprido um minuto de silêncio pelas mortes ocorridas nos confrontos entre populares e militares naquele país da América do Sul.

"A situação está muito complicada, é grave, vive-se uma ditadura na Venezuela, as pessoas não estão a aguentar, há falta de alimentos e sobretudo de medicamentos", observou Nataly Pestana, de 37 anos, 15 deles na Madeira, mas com familiares na terra de Simon Bolivar e representante na Madeira da "Venexos".

Nataly Pestana disse ser urgente haver uma solução para a Venezuela, referindo que “uma eventual guerra civil não é solução porque é sangrenta".

"Queremos que Maduro renuncie, que sejam convocadas eleições livres, que o povo escolha, que seja instaurada a democracia e que a Venezuela seja reconstruída a partir do zero", referiu.

Para Nataly Pestana, estas manifestações "visam chamar a atenção do mundo para a grave situação na Venezuela".

Lídia Albornoz, outra luso-venezuelana, de 40 anos, 20 dos quais passados na Venezuela, considera que as manifestações são "um SOS ao mundo", porque "a esperança é a última a morrer".

A jovem Arlete Freitas encontra-se na Madeira há um ano e diz que fugiu da "ditadura".

"Sou opositora a 100% do regime de Maduro", declarou, lamentando, por outro lado, ser discriminada na sua terra.

"Eu sou portuguesa, mas sinto-me estrangeira quando os residentes nos apontam dizendo que os ‘miras’ estão a invadir Portugal", contou.

Arlete Freitas afirmou, no entanto, acreditar que "muito em breve a Venezuela vai mudar".

A venezuelana Mary Ortegano, nascida em Barinas, terra do comandante Hugo Chávez, encontra-se na Madeira a convite de uma amiga madeirense e também manifestou a sua esperança numa alteração política na Venezuela.

Além disso, agradeceu aos luso-venezuelanos o apoio que têm dado para uma Venezuela "livre e democrática".

"Eu tenho cancro na mama. É mentira que haja medicamentos na Venezuela, estamos morrendo aos poucos", afirmou, entre lágrimas.

A Venezuela, destino significativo da emigração madeirense, atravessa uma grave crise económica, política e social, com o registo frequente de manifestações e distúrbios nas ruas.


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