Doze mortos em ataque contra jornal satírico

Doze mortos em ataque contra jornal satírico

 

Lusa/AO online   Internacional   7 de Jan de 2015, 14:18

Homens fortemente armados atacaram esta terça-feira a sede do jornal satírico francês 'Charlie Hebdo' fazendo pelo menos 12 mortos e vários feridos, um "atentado terrorista de extrema barbárie" denunciado pelo presidente francês e por governos de todo o mundo.

 

Segundo as autoridades, três homens, vestidos de preto e armados de espingardas automáticas 'kalashnikov', irromperam pela sede do semanário quando decorria uma reunião e abriram fogo matando 12 pessoas e ferindo 20, quatro das quais em estado muito grave.

Entre os mortos figuram o diretor e outros três dos principais cartoonistas do jornal: Stéphane “Charb” Charbonnier, 47 anos, jornalista, cartoonista e diretor e Jean “Cabu” Cabut, 76 anos; Georges Wolinksi, 80 anos, e Verlhac “Tignous” Bernard, 58 anos, todos cartoonistas.

À saída, antes de fugirem num automóvel, gritaram “Alá é grande” e “Vingámos o profeta”, segundo testemunhas.

O 'Charlie Hebdo' tornou-se conhecido em 2006 quando republicou cartoons do profeta Maomé, inicialmente publicados no diário dinamarquês 'Jyllands-Posten' e que provocaram forte polémica em vários países muçulmanos.

Em 2011, a sede do semanário ficou destruída num incêndio de origem criminosa depois da publicação de um número especial sobre a vitória do partido islamita Ennahda na Tunísia, no qual o profeta Maomé era o “redator principal”.

O ataque de hoje, sem precedente em França e um dos mais mortíferos das últimas décadas, foi qualificado pelo presidente, François Hollande, como um “atentado terrorista de extrema barbárie” num “país de liberdade”.

Hollande, que se deslocou ao local do ataque, prometeu perseguir e responsabilizar os responsáveis e acrescentou: “Ninguém pense que pode agir em França contra os valores da República”.

Após o ataque, o governo elevou o nível de segurança na região de Paris para o mais alto, designado “alerta de atentado” e convocou uma reunião de crise, com os principais membros do executivo e responsáveis da segurança.

Redações, os grandes armazéns e centros comerciais, onde hoje começaram os saldos de inverno, locais de culto, escolas e transportes foram colocados sob “proteção reforçada” da polícia.

Vários dirigentes estrangeiros, organizações de defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa e organismos religiosos condenaram o ataque.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse-se “chocada com o abominável” ataque, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, denunciou um “ato revoltante”, o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, condenou um ataque “vil e cobarde”, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, manifestou “horror e consternação”.

Nos Estados Unidos, o Presidente Barack Obama condenou “o terrível ataque” e ofereceu colaboração a França para identificar e punir os seus autores e na Rússia, o Presidente Vladimir Putin condenou “o terrorismo sob todas as suas formas” e transmitiu condolências pelas vítimas do “trágico acontecimento”.

O Vaticano exprimiu a sua condenação desta “dupla violência” contra pessoas e contra a liberdade de imprensa, a Liga Árabe “condenou energicamente” o ataque, e a principal autoridade do Islão sunita, a mesquita Al-Azhar, no Cairo, lamentou o “ataque criminoso”.

A secção francesa da Aminstia Internacional lamentou “um dia negro para a liberdade de imprensa” e a organização Repórteres Sem Fronteiras qualificou o ato como “um pesadelo tornado realidade”.


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