Dor crónica terá maior prevalência nos Açores em relação à média nacional e europeia

Dor crónica terá maior prevalência nos Açores em relação à média nacional e europeia

 

Lusa/AO Online   Regional   28 de Out de 2017, 10:25

A coordenadora do conselho científico da Associação de Doentes de Dor Crónica dos Açores (ADDCA) estima que a prevalência de dor crónica nos Açores deverá ser superior à média nacional e europeia, tendo em conta as "particularidades" da Região.

"Estamos cientes que devido ao clima, às patologias ósseas, ao reumatismo, às doenças oncológicas, aos idosos, nós realmente temos uma prevalência bastante acentuada (de dor crónica), possivelmente superior à média europeia e à nacional", admitiu Maria Flor de Lima.

Segundo a médica, a prevalência de dor crónica nos Açores deverá ser superior à estimada na Europa, que é de "um quarto da população", devido a "particularidades" da Região.

"Temos determinadas patologias que são muito específicas da nossa Região, por exemplo as doenças oncológicas, onde parece que temos uma incidência maior, também se acompanham de dor, quase 100%. Temos algumas particularidades no caso da doença de Machado Joseph. Fizemos um pequeno estudo onde mais de 50% destes doentes apresentam dor crónica", exemplificou.

Maria Flor de Lima lembra que os últimos estudos revelam que "um em cada cinco europeus sofre de dor crónica", sendo que o último estudo feito a nível nacional apontou para "30% de incidência" e salienta a importância de se fazer "um estudo mais atualizado" que possa confirmar essa maior prevalência nos Açores.

Para responder a essa problemática, a ADDCA já reuniu com o Governo Regional dos Açores no sentido de apresentar "projetos regionais inovadores" que aguardam "autorização".

"Deslocar os profissionais aos centros de saúde em vez de deslocar os doentes aos hospitais onde têm listas de espera de seis meses, temos uma proposta onde queremos aplicar determinadas técnicas de psicologia, fisioterapia e de nutrição para melhorar a qualidade de vida destes doentes, um projeto ambicioso para dois anos e que terá uma fase de avaliação e de replicação a nível regional", disse.

A ADDCA está, segundo a responsável, "com um pé no Parlamento Europeu" tendo em conta que foi admitida este ano como membro da Pain Alliance Europe, sendo que a partir de agora todas as "ações feitas pela Associação podem ser replicadas noutros sítios".

"Estamos representados na Pain Alliance e ao mesmo tempo temos voz, porque somos um membro. Os nossos eventos são todos divulgados a nível europeu, participamos em grupos diversos, alguns ao nível do Parlamento Europeu, como por exemplo o grupo dos direitos europeus que é fundamental e onde nós encontramos algum acolhimento para promovermos o nosso trabalho", disse.

A ADDCA comemora na tarde de hoje o 12.º aniversário com o colóquio "Na rota da dor -- Ponta Delgada" na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

O colóquio direcionado ao público conta com as participações da eurodeputada Sofia Ribeiro, da diretora regional da saúde Tânia Cortez e com representantes da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor.

A Associação de Doentes de Dor Crónica dos Açores foi a primeira a surgir em Portugal e a segunda na Península Ibérica.



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