Dor crónica custa 3 milhões por ano


 

Lusa/Ao On line   Nacional   15 de Out de 2010, 06:45

Mais de 30 por cento da população portuguesa sofre de dor crónica, problema de saúde pública que custa três mil milhões de euros por ano em Portugal, revela um estudo da Faculdade de Medicina do Porto.

O estudo nacional sobre o impacto da dor crónica na sociedade portuguesa vai ser hoje apresentado no congresso da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED).

O estudo epidemiológico, que envolveu mais de cinco mil entrevistas, recomenda a adoção de medidas que reduzam as consequências da dor crónica, não só pela sua gravidade e modo como afeta cerca de 30 por cento da população adulta portuguesa, mas também pelos altos custos que lhe estão associados.

A investigação revela também que cerca de metade dos custos da dor crónica (1,6 mil milhões de euros) deve-se a despesas com cuidados de saúde, enquanto o restante resulta dos chamados custos indiretos, como o absentismo e as reformas antecipadas.

O estudo indica também que mais de 25 por cento dos doentes que estão a ser tratados para a dor não se encontram satisfeitos com a terapêutica, justificando com a ineficácia da medicação prescrita e a falta de atenção que o médico dedicou à dor.

Uma percentagem significativa dos inquiridos foi reformada precocemente devido à dor e uma boa parte desses doentes teve uma baixa prolongada, adianta o inquérito.

José Romão, presidente da APED e coordenador da unidade de dor crónica do Hospital de Santo António, no Porto, explicou à agência Lusa que a dor crónica é um estado de dor persistente, sendo as causas mais frequentes osteoartrose, lombalgia crónica e artrite reumatóide.

Se a dor não for adequadamente tratada, a qualidade de vida da pessoa poderá ser gravemente afetada, podendo até levar à incapacidade para trabalhar, disse, acrescentando que tem impactos importantes a nível individual, familiar e social.

A dor crónica afeta todos os estratos etários, sendo comum em idades mais avançadas, e atinge sobretudo as mulheres.

José Romão sublinhou também que a “realidade de quem sofre de dor crónica em Portugal tem sido muitas vezes negligenciada e os efeitos na economia e na sociedade são ignorados desde sempre”.

O especialista considerou que é negligenciada ao nível dos profissionais da saúde, existindo uma cultura instalada de desvalorização da dor entre médicos e enfermeiros, que começa logo na fase de formação.


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