Dois arguidos negam pertencer a grupo de tráfico de droga em São Miguel

Dois arguidos negam pertencer a grupo de tráfico de droga em São Miguel

 

LUSA/AO online   Regional   10 de Jan de 2017, 14:17

Dois de três arguidos acusados de tráfico de droga agravado negaram hoje em tribunal envolvimento na importação e venda a terceiros de heroína, cocaína e canábis em São Miguel, Açores, e o outro optou pelo silêncio

O Tribunal Judicial de Ponta Delgada começou hoje a julgar três homens, com idades entre os 35 e 49 anos, detidos na sequência de uma operação que resultou na apreensão de cerca de 140 mil doses, entre canábis, heroína e cocaína, acondicionada em dez caixas de estantes adquiridas no continente a uma empresa de móveis.

Entre os arguidos, naturais de Ponta Delgada, está o gerente de uma sociedade do ramo automóvel na Ribeira Grande que, segundo o Ministério Público (MP), “decidiu usar esta empresa como fachada para a atividade de transporte do produto estupefaciente por via marítima para a ilha de São Miguel”.

Este homem recusou prestar declarações no início do julgamento, mas um outro arguido, também empresário, disse não ter tirado lucro de atividades relacionadas com o tráfico de droga.

“Não ia pôr em risco a minha família”, declarou o suspeito, que o MP alega ter constituído uma empresa de transportes com sede nas Capelas, Ponta Delgada, para supostamente a usar para o tráfico de droga por via marítima, o que o homem rejeitou.

Este arguido referiu ainda que a sua relação com o outro empresário era "apenas profissional" no âmbito do comércio automóvel, admitindo ter realizado “algumas viagens” com o outro empresário devido a negócios de carros.

Sobre a origem de parte do dinheiro apreendido pelas autoridades policiais, o homem argumentou que "era proveniente de comissões da venda de carros".

Um outro arguido, auxiliar de ação médica, adiantou que nunca se uniu aos outros homens para traficar, afirmando que apenas conhece um dos empresários por causa da "compra de um automóvel" e o outro “muito pouco”.

“Nunca encontraram droga no meu domicílio”, sustentou, mas nada dizendo quando confrontado pelo presidente do tribunal coletivo sobre quantas encomendas terá levantado.

Uma das testemunhas, que o MP considera ser um intermediário para venda de droga em São Miguel, admitiu ter recebido do auxiliar de ação médica droga para fazer “um única venda”, facto que o arguido negou e disse ser "uma vingança da testemunha por tê-lo despedido por justa causa".

A acusação alega ainda que as encomendas eram enviadas por via marítima em nome de uma colega de trabalho do arguido auxiliar de ação médica, mas esta disse conhecer o arguido apenas por serem colegas de trabalho no hospital de Ponta Delgada, garantindo que nunca viu qualquer encomenda.

A investigação concluiu que, pelo menos a partir do início de 2014 e até março de 2016, os três homens estavam dedicados à importação e à venda a terceiros de heroína, cocaína e canábis na maior ilha dos Açores.

O produto estupefaciente era supostamente escondido no interior de motores ou peças para automóveis e também em armários ou outros bens provenientes do continente em contentores.

O julgamento prossegue à tarde.

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