Dois anos depois de intempéries na ilha Terceira ainda há obras a decorrer

Dois anos depois de intempéries na ilha Terceira ainda há obras a decorrer

 

Lusa/AO Online   Regional   13 de Mar de 2015, 10:19

Dois anos depois das enxurradas na freguesia do Porto Judeu, na ilha Terceira, ainda decorrem obras de recuperação dos estragos nas ribeiras e nas estradas.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia do Porto Judeu, João Tavares, uma das obras a decorrer, na Grota do Tapete, da responsabilidade da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, deverá ficar concluída ainda "esta semana".

O autarca acrescentou que as intervenções na ribeira do Testo, da responsabilidade da Direção Regional do Ambiente, também deverão estar prontas "este mês ou no mês que vem".

Ainda assim, falta uma obra na zona da foz da Ribeira do Testo, que só agora foi adjudicada e que deverá estar concluída em julho "se tudo correr bem".

Na madrugada de 14 de março de 2013, duas ribeiras (Grota do Tapete e ribeira do Testo) transbordaram no centro da freguesia do Porto Judeu, deixando a população isolada por algumas horas e destruindo habitações, carros e estradas.

Cinco casas ficaram inabitáveis, mas no total foram danificadas 41 moradias pelas inundações, o que levou à retirada de 39 pessoas, por questões de segurança, naquela noite.

A maior parte das famílias regressou a casa no dia seguinte e as que não o puderam fazer foram alojadas por familiares.

Segundo João Tavares, há ainda uma família que não regressou a casa, mas por opção própria, porque aproveitou para fazer melhoramentos na habitação para além dos apoios previstos na recuperação.

Durante dois anos, o Governo Regional dos Açores e a autarquia de Angra do Heroísmo reconstruíram estradas danificadas pela catástrofe natural, com uma dimensão total superior aos seis quilómetros, segundo o presidente da junta de freguesia.

Foram também realizadas obras nas ribeiras, para corrigir o leito, com base em estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), mas, de acordo com João Tavares, "não houve necessidade de demolição de casas", apenas um "reforço" da sua proteção.

A Casa do Povo do Porto Judeu, através de um protocolo com a Direção Regional da Habitação, apoiou a recuperação das habitações e a aquisição de eletrodomésticos e mobiliário, num valor superior a 100 mil euros, dos quais 30 mil foram angariados por donativos.

Quanto às obras nas estradas e ribeiras, as responsabilidades dividiram-se entre o Governo Regional, que, em 2013, previa um investimento de 2,7 milhões de euros, e a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que previa gastar 1,8 milhões de euros, incluindo obras na freguesia de São Sebastião (junto ao Porto Judeu), também afetada pelas intempéries.

Em 2013, o presidente do Governo Regional dos Açores enviou uma carta ao primeiro-ministro a solicitar solidariedade nacional devido às intempéries que assolaram a região, provocando estragos na ordem dos 35 milhões de euros.

No entanto, o Conselho de Ministros aprovou apenas uma flexibilização dos limites de endividamento dos municípios, quando, segundo o executivo açoriano, 90% dos estragos eram de responsabilidade regional e não autárquica.

Na madrugada de 14 de março de 2013, o mau tempo provocou também um deslizamento na freguesia do Faial da Terra, na ilha de São Miguel, tendo morrido três pessoas.

Neste caso, foram retiradas 17 famílias de casa, mas a maioria regressou nos dias e nas semanas seguintes. A exceção foram cinco famílias, que foram realojadas em definitivo noutras casas.


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