Doentes com esclerose múltipla protestaram contra suspensão de alguns medicamentos

Doentes com esclerose múltipla protestaram contra suspensão de alguns medicamentos

 

Lusa/AO online   Nacional   22 de Nov de 2012, 10:49

Um grupo de doentes com esclerose múltipla manifestou-se esta quinta-feira junto ao Hospital de São João, Porto, contra a suspensão de alguns medicamentos para o tratamento daquela doença degenerativa.

O protesto foi organizado pelas três associações de portadores de esclerose múltipla existentes em Portugal, com o objetivo de reivindicar "o melhor tratamento disponível para os doentes".

Esta ação "deve-se ao facto de o hospital de S. João não dispensar toda a medicação existente no mercado nacional aos doentes com esclerose múltipla, por uma querela com um laboratório que fornece ao hospital, neste caso, dois medicamentos", explicou Paulo Alexandre Pereira, porta-voz das associações de doentes.

"A substituição dos medicamentos traz preocupações a estes doentes, porque não se sabe se, no período de adaptação, vão ficar estáveis. Além disso, o medicamento que tomavam era de aplicação subcutânea, o que lhes permitia fazer o tratamento em casa e com o novo medicamento têm de se deslocar ao centro de saúde para levar uma injeção semanal", frisou.

O que está em questão, segundo este responsável, "não é uma questão económica. Segundo a lei dos compromissos, o laboratório em questão pôs uma injunção em tribunal ao hospital e o hospital decidiu que não entravam mais medicamentos daquela marca".

"É uma querela, ou se quiser, uma birra, porque o laboratório pediu que o hospital pagasse o que lhe devia", frisou.

Paulo Alexandre Pereira acrescentou que as três associações de doentes vão levar o protesto "até às últimas consequências. Já mandámos queixas para o Parlamento Europeu e associações de doentes europeias. Se tivermos de fazer como fizeram os deficientes indignados, de pernoitar na porta da Assembleia da República, também o faremos".

Susana Vilarinho, uma das doentes presentes neste protesto, contou que lhe trocaram a medicação há cerca de 15 dias, mas admitiu que ainda não sentiu "grandes efeitos".

"Os doentes têm o direito a ter a mesma medicação que é fornecida nos outros hospitais. Porque é que o ministro da Saúde não tenta perceber qual é a querela que existe e resolve o problema entre o hospital e a farmacêutica. Nós temos o direito de ter acesso à medicação que nos foi receitada pelo nosso médico, porque se nos foi receitada era porque era a indicada", acrescentou.

Aníbal Silva, outro doente, também alinhou nas críticas: “Não faz sentido nenhum estar a cortar os medicamentos aos doentes, substituindo-o por um alternativo que nós nem sequer temos conhecimento se terá algum efeito ou não".

Em declarações aos jornalistas, a diretora clínica do "S. João", Margarida Tavares, garantiu que "o principio ativo dos medicamentos é o mesmo e não há nenhuma evidência neste momento que permita afirmar que são diferentes".

"Percebemos a angústia e a preocupação dos doentes, eles são a razão da nossa existência. O nosso interesse é e sempre foi encontrar as melhores alternativas para os tratar, mas entendemos que esta decisão é absolutamente correta do ponto de vista científico e clínico e, portanto, quando isso está assegurado, eles podem estar descansados, porque nós estamos".

O HSJ informou recentemente ter pedido à Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS) uma auditoria aos procedimentos que adota para tratar a esclerose múltipla.


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